29 Jun 2017 | Psicologia para Pais  |  Marta Marchante

Retenção

 

Agora que terminou mais um ano letivo, várias são as famílias que estão a lidar com a “retenção”.

A justificação para adotar esta medida é a existência, no aluno, de “um grande atraso em relação aos objetivos e capacidades definidas, a nível central e local, para esse ano ou ciclo” (Despacho Normativo nº 98 – A/92, art.53) e a convicção de que, por meio dela, os alunos recuperarão e voltarão a estar ao nível das aprendizagens perdidas considerado aceitável para aquele ano de escolaridade.

Quando um aluno reprova:

  • Deixa de acompanhar os seus colegas de ano e terão, na sala de aula, outros mais jovens, mais pequenos, mas, quem sabe, até talvez, mais inteligentes e capazes de aprender mais do que eles.
  • o(s) seu(s) professor(es) e os seus colegas saberão que são repetentes e que, portanto, fracassaram — situação que poderá conduzir a sentimentos de vergonha, de autodepreciação ou, eventualmente, de revolta. E, neste caso, a reprovação, a tomada de consciência do fracasso e a sua interiorização não deixarão indiferente o aluno reprovado, o que poderá provocar-lhe um abaixamento da sua auto-estima.

 

Vários estudos têm sido conduzidos sobre este tema, e no geral, consideram a reprovação ineficaz, do ponto de vista pedagógico, e até mesmo prejudicial ao desenvolvimento global dos alunos. Apenas um pequeno número deles, sobretudo os que incidem particularmente sobre os efeitos da reprovação, no ano a seguir a esta, consideram que a retenção tem alguma influência benéfica, embora pouca, sobre o desempenho escolar e sobre o comportamento problemático desses alunos.

Consequências:

  • abandono escolar (muito mais elevado em alunos com retenções).
  • desenvolvimento psicossocial (p. ex., problemas de atenção, mau comportamento)
  • impacto na trajetória de desenvolvimento
  • efeitos a longo prazo
  • efeito negativo na ansiedade
  • sentimentos de desvalorização
  • retenção gera retenção
  • menor adaptação (com mais comportamentos desadequados(disruptivos)
  • menor desempenho académico

Então e qual é a alternativa? Estudos indicam que existem programas mais eficazes, como alternativa à retenção, como: programas académicos de escola de Verão, o envolvimento parental positivo (antes e depois de atividades remediativas ou de apoio, e de enriquecimento) e os programas educativos individualizados para os alunos (tais como, passagem por experiências de pré-escola mais intensivas e enriquecidas).

 


PSICOLOGIA PARA PAIS

Uma coluna do Jornal de Mafra dedicada ao esclarecimento de dúvidas de pais e educadores sobre a infância/adolescência, tendo por objectivo, aproximar a psicologia da população em geral e aumentar as ferramentas dos educadores para lidar com os seus educandos.

 


Quaisquer questões suscitadas, poderão ser colocadas nos comentários do artigo ou directamente à autora pelo endereço electrónico marta.isabelmarchante@gmail.com

Marta Marchante é mestre em psicóloga pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e tem trabalho desenvolvido no concelho, com crianças e adolescentes. Exerce funções no âmbito da psicologia educacional, na Ericeira, Venda do Pinheiro e Torres Vedras

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