18 MAI 2017 | Psicologia para Pais  |  Marta Marchante

Psicologia Social – o efeito halo

 

Após a apresentação de um estudo clássico sobre a obediência, que pode ser usado para compreender fenómenos atuais como o jogo da Baleia Azul, vamos regressar ao tema da psicologia social.

Hoje abordamos o chamado “efeito halo” que nos ajuda a compreender o porquê de acharmos que a nossa primeira impressão sobre uma pessoa está correta.
Depois de criada uma primeira impressão global sobre um individuo, temos a tendência para captar as características que vão confirmar essa mesma impressão.

A primeira impressão vai afetar as nossas avaliações em relação ao individuo observado. Como exemplo, se inicialmente avaliarmos uma pessoa como honesto, temos a tendência de lhe associar características positivas, tais como: leal, sociável, simpático…

 

Uma série de experiências junto ao Exército americano, para verificar de que forma os comandantes analisavam seus subordinados.

Os resultados foram surpreendentes na medida em que havia uma forte correlação entre a avaliação das aptidões dos soldados e sua aparência física. Algo como se o soldado mais bonito – ou mais forte, ou com melhor postura – atirasse melhor do que os outros, fosse mais veloz, mais habilidoso com uma faca, bom de cálculo e tocasse piano como ninguém. Sintetizando, ele identificou a tendência em atribuir características positivas a quem tem resultados positivos – e vice-versa.

 

Como podemos usar estas conclusões no nosso dia-a-dia?

Em primeiro lugar, é importante causarmos uma boa primeira impressão. Se o seu filho vai para o primeiro dia de aulas sem o material necessário, é mais provável que a primeira impressão que o professor faça dele seja mais negativa (e será necessário um maior trabalho do seu filho para conseguir que o professor mude a sua opinião sobre ele).

Por outro lado, se tivermos mais conscientes deste enviesamento, podemos avaliar os professores ou amigos do nosso filho de forma mais adequada. Especialmente importante para os amigos, questione-se se as atitudes que vai observando estão de acordo com a imagem que tinha desse amigo do seu filho (não deixe que este processo automático faça essa avaliação). Da mesma forma, o seu filho terá estes enviesamentos em relação aos seus amigos. Ajude-o questionando-o sobre a coerência entre as atitudes do amigo e a impressão que este tem dele.

Por exemplo: se o seu filho tiver uma má impressão de um colega é mais provável que encare uma brincadeira como um momento desagradável (pode considerar que o colega gozou com ele, por exemplo), do que o contrário.


PSICOLOGIA PARA PAIS

Uma coluna do Jornal de Mafra dedicada ao esclarecimento de dúvidas de pais e educadores sobre a infância/adolescência, tendo por objectivo, aproximar a psicologia da população em geral e aumentar as ferramentas dos educadores para lidar com os seus educandos.

 


Quaisquer questões suscitadas, poderão ser colocadas nos comentários do artigo ou directamente à autora pelo endereço electrónico marta.isabelmarchante@gmail.com

Marta Marchante é mestre em psicóloga pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e tem trabalho desenvolvido no concelho, com crianças e adolescentes. Exerce funções no âmbito da psicologia educacional, na Ericeira, Venda do Pinheiro e Torres Vedras

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