15 Jun 2017 | Psicologia para Pais  |  Marta Marchante

Efeito Espetador

 

Voltamos à nossa apresentação de efeitos da psicologia social, e na sua utilização no dia-a-dia das crianças/jovens/pais. Hoje falamos no efeito espetador, que pode ajudar a explicar a perpetuação de diversos fenómenos de violência, como por exemplo o bullying.

 

No dia 13 de março de 1964, Kitty Genovese estava voltando para casa depois do trabalho e, a poucos metros da porta de casa, foi assaltada por um homem armado com uma faca que a apunhalou e violou pouco depois. Genovese morreu a caminho do hospital, sem que ninguém pudesse fazer nada para salvá-la. Depois confirmou-se por volta de 12 moradores do local escutaram ou viram parte do sinistro crime. Apenas um transeunte gritou que a deixassem em paz. Por que ninguém se aproximou para ajudá-la? Números à parte, o caso Kitty Genovese serviu para estudar o já conhecido “efeito espectador”: em uma situação de emergência, os observadores assumem que será sempre “outro” quem vai intervir, e no final todos se abstêm de fazê-lo. Desde este acontecimento em Nova York, quando foram proferidas duras críticas contra a frieza da sociedade, os psicólogos pesquisaram sobre este fenômeno que, em resumo, dilui a responsabilidade de quem é testemunha de uma situação de urgência e, em vez de prestar auxílio a quem precisa dele, ignora a vítima. O efeito espectador lança uma conclusão desoladora: quanto maior o número de espectadores observando uma situação de emergência, menor é a probabilidade de que alguém se decida a ajudar. Por quê?

 

  1. A responsabilidade dilui-se. Ao haver mais pessoas ao redor, nosso cérebro ‘argumenta’ o seguinte: “outra pessoa que ajude”. Conclusão: quanto maior o número de ‘espectadores’ que estejam vendo que alguém precisa de ajuda, menos comprometidos nos sentimos para socorrer os outros. Ninguém se responsabiliza e, portanto, ninguém ajuda a pessoa que está em perigo.
  2. Conformidade social ou ignorância pluralista: Embora todos estejam pensando o mesmo que nós, não agimos por medo do que a maioria possa pensar. Modificamos nosso comportamento e nossa atitude para harmonizar com o grupo que nos rodeia. Acreditamos que somos nós que estamos interpretando a situação de forma exagerada, e talvez «não esteja acontecendo nada”.
  3. Medo de ser avaliados: se intervirmos para ajudar a vítima o resto de ‘espectadores’ estará olhando e julgando se estamos agindo bem ou mal

 

Neste sentido, quando se dá o efeito de responsabilidade partilhada, a probabilidade de a pessoa individual agir diminui. Podemos através destes dados reflectir sobre a nossa atitude. Mesmo a nível da nossa vida pessoal isto pode ser sentido. Eis um exemplo explicativo: quando o seu filho/a vê uma situação de agressão na escola pode pensar que alguém já foi avisar um adulto. É importante reforçar com as crianças que devem ajudar os outros: mais vale muitos a ajudar do que ninguém!

 


PSICOLOGIA PARA PAIS

Uma coluna do Jornal de Mafra dedicada ao esclarecimento de dúvidas de pais e educadores sobre a infância/adolescência, tendo por objectivo, aproximar a psicologia da população em geral e aumentar as ferramentas dos educadores para lidar com os seus educandos.

 


Quaisquer questões suscitadas, poderão ser colocadas nos comentários do artigo ou directamente à autora pelo endereço electrónico marta.isabelmarchante@gmail.com

Marta Marchante é mestre em psicóloga pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e tem trabalho desenvolvido no concelho, com crianças e adolescentes. Exerce funções no âmbito da psicologia educacional, na Ericeira, Venda do Pinheiro e Torres Vedras

PubPUB

Achou este artigo interessante, partilhe-o com os seus amigos!

VISITE TAMBÉM A PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DE MAFRA

Partilhe com os seus amigos!