20 ABR 2017 | Psicologia para Pais  | Marta Marchante

A obediência

 

Nas próximas colunas iremos abordar alguns estudos da psicologia social, que nos ajudam a perceber fenómenos como os massacres cometidos, por exemplo na Segunda Guerra Mundial ou efeitos de grupo como os observados nas mais recentes viagens de finalistas e os comportamentos excessivos.

Comecemos por um dos estudos sobre a autoridade, a Experiência de Milgram foi uma experiência científica desenvolvida pelo psicólogo Stanley Milgram.

Neste estudo pretendia-se perceber como os participantes tendem a obedecer às autoridades, mesmo que discordem das instruções dadas.

Esta experiência vem do contexto da 2ª Guerra Mundial, após os crimes cometidos no tempo do Nazismo, e tinha como objetivo perceber como pessoas desconhecidas iriam obedecer a instruções, mesmo se esta envolvesse magoar outra pessoa.

 

Existiam dois participantes: o aluno (ator cúmplice da experiência) e o professor (voluntário da experiência). A experiência decorreu em duas salas do Laboratório de Interação na Universidade de Yale – uma para o aluno (com uma cadeira elétrica) e outra para o professor e pesquisador com um gerador de choque elétrico. O “aluno” foi amarrado a uma cadeira com elétrodos. Depois que ele tivesse aprendido uma lista de pares de palavras que lhes foram dadas para aprender, o “professor” testá-lo-ia, falando o nome de uma palavra e pedindo para o aluno lembrar qual era seu par de uma lista de quatro possíveis escolhas.

O professor era instruído a administrar um choque elétrico cada vez que o aluno errasse, aumentando o nível de choque a cada vez. Havia 30 chaves no gerador de choque, que variava de 15 volts (ligeiro choque) a 450 (choque grave).  O aluno errava a resposta propositalmente na maioria das vezes, e, em cada vez, o professor dava-lhe um choque elétrico e emitia gritos de dor ou deixava de responder às questões. Quando o professor se recusava a administrar um choque, o experimentador repetia uma série de frases de estímulo para garantir que eles continuassem (1- Por favor, continue; 2 – A experiência requer que você continue; 3 –  É absolutamente essencial que você continue ; 4 – Você não tem outra escolha a não ser continuar). Caso o participante se negasse a fazê-lo depois da quarta frase, a experiência terminava, caso contrário, o experimento só era interrompido ao chegar na voltagem mais alta.

Em conclusão, 65% dos participantes continuou até o mais alto nível de 450 volts. Todos os participantes continuaram até 300 volts. Os resultados demonstram que os participantes seguem instruções dadas por uma autoridade, mas que quando a autoridade dá uma ordem (frase número 4 é a única que pode ser considerada uma ordem), 100% das vezes, a ordem foi desobedecida pelos participantes da experiência.

 

Apesar de ser uma experiência muito contestada, pelos diversos problemas éticos que a mesma levanta, é importante perceber que mesmo quando os dilemas morais estão presentes de forma explícita, a autoridade parece prevalecer sobre as preferências individuais.

 


PSICOLOGIA PARA PAIS

Uma coluna do Jornal de Mafra dedicada ao esclarecimento de dúvidas de pais e educadores sobre a infância/adolescência, tendo por objectivo, aproximar a psicologia da população em geral e aumentar as ferramentas dos educadores para lidar com os seus educandos.

 


Quaisquer questões suscitadas, poderão ser colocadas nos comentários do artigo ou directamente à autora pelo endereço electrónico marta.isabelmarchante@gmail.com

Marta Marchante é mestre em psicóloga pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e tem trabalho desenvolvido no concelho, com crianças e adolescentes. Exerce funções no âmbito da psicologia educacional, na Ericeira, Venda do Pinheiro e Torres Vedras

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