25 ABR 2017 | Poemas e Poetas | Licínia Quitério

TEIXEIRA DE PASCOAES (1878-1952) tem a sua vida e obra fortemente ligadas a Amarante, sua terra natal. Com o seu génio singular, foi um dos grandes animadores do movimento Renascença Portuguesa e colaborador da revista A Águia, órgão de divulgação das concepções desse movimento. Considerado o inventor do Saudosismo em poesia, era para ele a Saudade a fusão da lembrança e do desejo, dos génios cristão e pagão, ideias que defendeu em brilhantes conferências, ensaios, polémicas. Na sua poesia perpassa o lirismo metafísico, a visão panteísta do mundo, a superação do individual pelo cósmico. O pensamento de Pascoaes continua a ter seguidores e estudiosos, especialmente em torno do seu ideário de O Espírito Lusitano. Da sua inspiração torrencial nasceram poemas longos, como ELEGIA DO AMOR, de que apresentamos um excerto.

Olhavas para mim,

Às vezes, distraída,

Como quem olha o mar,

À tarde, dos rochedos…

E eu ficava a sonhar,

Qual névoa adormecida,

Quando o vento também

Dorme nos arvoredos.

Olhavas para mim…

Meu corpo rude e bruto

Vibrava, como a onda

A alar-se em nevoeiro.

Olhavas, descuidada

E triste… Ainda hoje escuto

A música ideal

Do teu olhar primeiro!

Ouço bem tua voz,

Vejo melhor teu rosto

No silêncio sem fim,

Na escuridão completa!

Ouço-te em minha dor.

Ouço-te em meu desgosto

E na minha esperança

Eterna de poeta!

 

Licínia Quitério

 

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