20 Jun 2017 | Poemas e Poetas | Licínia Quitério

SEBASTIÃO ALBA, pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves (1940-2000), nasceu em Braga, viveu em Moçambique onde conviveu com círculos intelectuais, nomeadamente com José Craveirinha que a ele se referiu como “Um dos grandiosos deuses humildes da palavra”. Poeta, guerrilheiro, inconformado, anarquista, vagabundo, regressou a Braga onde acabou por viver na rua, por sua própria decisão. Na rua morreu, atropelado. Com ele deixou um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá». A sua obra foi publicada em vários livros por editoras de renome. Do seu livro A Noite Dividida, o Poema NINGUÉM MEU AMOR.

 

Ninguém meu amor

ninguém como nós conhece o sol

Podem utilizá-lo nos espelhos

apagar com ele

os barcos de papel dos nossos lagos

podem obrigá-lo a parar

à entrada das casas mais baixas

podem ainda fazer

com que a noite gravite

hoje do mesmo lado

Mas ninguém meu amor

ninguém como nós conhece o sol

Até que o sol degole

o horizonte em que um a um

nos deitam

vendando-nos os olhos

PubPUB

Achou este artigo interessante, partilhe-o com os seus amigos!

VISITE TAMBÉM A PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DE MAFRA

Partilhe com os seus amigos!