11 ABR 2017 | Poemas e Poetas | Licínia Quitério

IRENE LISBOA (1892-1958) – A sua notável obra de escritora, professora, pedagoga, nunca no seu tempo foi devidamente apreciada e hoje o seu nome anda esquecido. No entanto, sobre ela escreveu Jorge de Sena: “Os seus poemas pouco publicados em livro e dispersos, porém— e toda a sua prosa possui um timbre da mais límpida poesia, uma poesia ao mesmo tempo finamente civilizada e acremente campestre —, através do requinte de uma consumada arte do ocasional e do momentâneo, igualmente constituem, no seu aspecto aparentemente descosido, e vagamente meditativo, a afirmação de uma das mais notáveis figuras líricas contemporâneas: lirismo feminino que é plácida desenvoltura de um espírito implacável, indomitamente livre e liberto.“. Só a partir de 1942, assinou poemas com o seu nome – Irene Lisboa. Até ali, usou o pseudónimo João Falco. De “Obras de Irene Lisboa”, editado em 1991, transcrevemos excerto de um longo poema chamado CANTO. Procurem IRENE LISBOA!

Aqueles suaves, langues verdes, tão cariciosos;

os redondos troncos

e os musgos fofos;

os melros agrestes

e as campainhas roxas daquelas flores da minha infância,

de que me ensinaste o nome tão doce, tão estranho…

E as loucas nuvens corredias

e as pedras hieráticas

e as veredas amáveis,

como se os ofereciam!

Amavam-nos,

Não o viste?

No passo certo em que ambos íamos

tudo, tudo nos prendia

e nós tudo deixávamos.

Mas o vento…

o vento dos altos a que me dei,

mais do que o resto a ti me trouxe,

a ti me entregou.

Como se eu te esperasse

e te pudesse fugir,

sôfrego quiseste-me prender.

Eu presa já estava…

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