28 MAR 2017 | Poemas e Poetas | Licínia Quitério

FRANCISCO RODRIGUES LOBO (1579?-1621), de uma família de cristãos-novos, nasceu em Leiria e formou-se em Direito em Coimbra. Teve morte trágica, afogado durante uma viagem de barco de Santarém para Lisboa. Admirador da obra do castelhano Luis de Gôngora, é considerado o iniciador do estilo barroco na literatura portuguesa. Com clara influência de Camões, escreveu éclogas, canções, sonetos. É bem conhecida a sua obra em prosa, “Corte na Aldeia”, testemunho do desconforto da corte nacional do seu tempo sob a dominação Filipina. O bucolismo e um certo maneirismo são traços da poética de Rorigues Lobo. Do seu livro FÉNIX RENASCIDA, trazemos aqui um soneto onde transparece a lírica camoniana.

 

Fermoso Tejo meu, quão diferente

Te vejo e vi, me vês agora e viste:

Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,

Claro te vi eu já, tu a mim contente.

 

A ti foi-te trocando a grossa enchente

A quem teu largo campo não resiste;

A mim trocou-me a vista em que consiste

O meu viver contente ou descontente!

 

Já que somos no mal participantes,

Sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera

Que fôramos em tudo semelhantes!

 

Mas lá virá a fresca Primavera:

Tu tornarás a ser quem eras dantes,

Eu não sei se serei quem dantes era

PubPUB

Achou este artigo interessante, partilhe-o com os seus amigos!

VISITE TAMBÉM A PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DE MAFRA

Partilhe com os seus amigos!