17 Jul 2017 | Saúde Mental e Ocupacional | 

 Saúde Mental na gravidez e pós-parto

 

A gravidez e a maternidade são eventos muito importantes na vida da mulher. É desejável que seja um período de realização e plena felicidade. Durante muito tempo pensava-se que era um período protetor da doença mental. No entanto, é caracterizado por emoções intensas, por vezes contraditórias, dada a necessidade de readaptação a uma nova realidade pessoal e conjugal, a uma nova logística de vida e novos papéis. Implica uma série de mudanças físicas, psíquicas, hormonais e sócio-familiares.

São várias as patologias psiquiátricas que têm início em idades reprodutivas, determinando uma abordagem especializada da maternidade na mulher com doença mental grave. Em mulheres vulneráveis, a gravidez e pós-parto podem predispor a doença mental ou, quando esta já existe, podem precipitar novas crises. Por outro lado, a doença mental na gravidez, se não tratada, é um fator preditor de doença mental no período pós-parto.

Apesar de todas as consequências negativas para a mulher, gestação e para o futuro bebé/criança, as doenças mentais no peri-parto são subdiagnosticadas: cerca de 50% das depressões não são diagnosticadas e apenas 5-14% das mulheres com doença psiquiátrica na gravidez são tratadas.

As consequências para a gestação são várias:

– fraca adesão aos cuidados pré-natais;

– aumento do consumo de tabaco, álcool e outros tóxicos;

– fraco aumento de peso por alterações do apetite;

– Diabetes gestacional;

– Pré-eclâmpsia;

– anomalias da placenta;

– comportamentos de risco;

– e suicídio.

Para o bebé:

– baixo peso ao nascer;

– parto prematuro;

– inadequada progressão de peso;

– e dificuldades no estabelecimento da vinculação mãe-bebé.

Para a futura criança:

– alterações no desenvolvimento cognitivo e aprendizagem;

– aumento do risco de patologias psiquiátricas;

– e dificuldades na regulação emocional e comportamento social.

Por tudo o que foi exposto torna-se de extrema importância saber identificar os principais sintomas das doenças psiquiátricas neste período e saber como obter a ajuda necessária para o encaminhamento aos serviços de saúde mental para que seja instituído precocemente o tratamento adequado.

Fazer qualquer terapêutica psicofarmacológica neste período é sempre um desafio, na gravidez pelos potenciais efeitos no desenvolvimento embrionário e no pós-parto pela questão da amamentação e eventual passagem dos fármacos para o bebé. Por tudo isso, a decisão de instituição terapêutica tem que ser feita por especialistas que irão avaliar o seu risco-benefício. Avaliar por um lado os riscos do tratamento e, por outro, os riscos da ausência de tratamento.

Em dois artigos posteriores iremos abordar estas questões de forma mais pormenorizada, nomeadamente os sintomas das principais doenças psiquiátricas na gravidez e pós-parto e como obter ajuda no seu tratamento.

Catarina Ferreira*1, Maria João Avelino*2 e Susana Alves*1

*1Interna de Psiquiatria
*2Psiquiatra

 

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