24 ABR 2017 | Saúde Mental e Ocupacional | Ana Maria Sancho

 Motivar para a Mudança

 

“gostava de perder uns quilinhos…”; “gostava de deixar de fumar…”; “gostava de ter mais tempo…”; “queria mudar a forma como reajo com o meu marido/filho/colega…”; “ um dia destes começo a fazer umas caminhadazinhas!”

Já escutou estas frases? Já as verbalizou? Mudar o comportamento ou atitudes implica mudar hábitos de longa duração, que se foram adquirindo e que por vezes consideramos não serem saudáveis. Surge a necessidade de Mudar! Os obstáculos são imensos e, além de tudo, isso implica muitas vezes deixar de ter o prazer que determinados hábitos, comportamentos nos dão. Por exemplo, determinados alimentos, fumar, achar que os outros é que estão sempre mal.

A mudança pode parecer difícil, mas não é impossível, nem inatingível. Mudar é “mover” (do latim movere), é sair da zona de conforto, caminhar rumo a um desejo que se transforma num objectivo. Para iniciar este Processo é necessário encontrar a Motivação.

A Motivação é a chave para a Mudança, é aquilo que é susceptível de mover a pessoa, de a levar a agir para atingir algo (o Objectivo) e de lhe produzir um comportamento orientado. A motivação é um conceito multidimensional, dinâmico, influenciado pelas interacções sociais e passível de ser modificado. Desta forma, a motivação não é encarada como um traço de personalidade inerente à pessoa, mas como um estado de prontidão, que pode oscilar de um momento para o outro e de uma situação para a outra, que é passível de ser incrementado.

Prochaska & DiClemente (1982) desenvolveram um Modelo Transteórico de Mudança, validado através de inúmeros estudos, utilizado em diferentes contextos de saúde, que facilita a compreensão e intervenção neste processo. Foca-se na mudança intencional, ou seja, a tomada de decisão pela pessoa ao longo de um processo que evolui através de cinco fases:

-“Eu não quero…”- Não reconhece que apresenta um problema, não admite que a sua saúde e bem-estar possam estar comprometidos, não se preocupa com a questão, nem quando lhe apresentam as consequências negativas de determinado comportamento ou atitude. Provavelmente está na fase de Pré-Contemplação. A palavra-chave é Resistência ou Negação.

Caso se identifique com esta fase, procure informar-se sobre os benefícios e os riscos desse comportamento. Já imaginou como seria a sua vida após a mudança?

-“Talvez eu…”- Admite o problema, reconhece a necessidade de mudar, mas… ainda pensa bastante nas dificuldades que irá enfrentar. É bem provável que esteja na fase de Contemplação. A palavra-chave é Ambivalência. Adia com frequência o início da mudança. As experiências anteriores ajudam a identificar quais os obstáculos que interferiram na conquista do seu objectivo, facilitam reconhecer aquilo que ajudou ou prejudicou nesse processo. Conhece outras pessoas que tentaram e obtiveram bons resultados? Converse com elas e tente saber um pouco mais sobre as dificuldades que enfrentaram e, principalmente, as vantagens que sentiram com essas mudanças.

-“Eu irei…”- Manifesta o desejo de mudar, planeia e começa a criar estratégias que favoreçam a mudança, isto é, começam aparecer os indicadores de que está pronto para o início. Esta fase é a Preparação. A palavra-chave neste momento é Determinação. Nos últimos meses a sua atitude esteve, provavelmente, em favor da mudança. Escolha uma data para começar de facto a mudar.

-“Eu estou a…”- Está a implementar mudanças ambientais e comportamentais, investe tempo e energia na execução desse plano. Fase de Acção. Palavra-chave Concretização.

Algumas ideias para elaborar um plano de acção:

  • Identificar e accionar quais são os tipos de suporte necessários para a mudança que deseja realizar. Pode ser ajuda profissional (técnico de saúde ou outro), de amigos e/ou familiares.
  • Reunir informação sobre as vantagens e desvantagens (“o que ganho…” e “o que eu perco…”). Fazer uma escolha. Tomar uma decisão baseada nesta informação.
  • Planificar a acção. Quais são os objectivos que pretendo atingir? São quantificáveis? São atingíveis? São realistas? Em que período de tempo?
  • Colocar o plano em prática e ser realista quanto aos obstáculos ou desafios que possam surgir.
  • Manter a motivação através da avaliação periódica dessa experiência. Possibilita rever quais são os ajustes necessários a realizar.
  • Gerir os retrocessos, as recaídas e reforçar as aquisições. Para tal é necessário reunir ferramentas como a informação e as competências necessárias para lidar com esses desafios.

-“Eu fiz…”- Realizou a mudança pretendida. Lida melhor com as situações tentadoras. Sente-se com capacidade para ter um comportamento ou um estilo de vida mais saudável. Está na fase de Manutenção. Palavra-chave Permanência. Tradicionalmente esta fase é vista como estática, mas é um processo dinâmico, onde se trabalha a prevenção ou aceitação da Recaída nos hábitos, nos padrões antigos e o foco nos ganhos.

Ideias chave a reter:

  • A mudança não é estática. Não é linear.
  • A mudança é uma espiral. Um processo em desenvolvimento no tempo.
  • A compreensão do processo básico da mudança de comportamento, possibilita o conhecimento dos desafios e do tipo de suporte necessário para os ultrapassar.

Será que “mais vale o mau conhecido que o bom por conhecer” (provérbio popular)?!!!
Ou “a nossa maior glória está em não cair, mas em levantarmo-nos sempre que caímos” (Confúcio)?
Ana Maria Sancho
(Psicóloga Clínica)

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