05 Jun 2017 | Saúde Mental e Ocupacional | Catarina Ferreira

 Explicando a Psicose

 

O que é?

O termo psicose refere-se a uma síndrome psiquiátrica, em que há alguma perda de contacto com a realidade. Interfere com os pensamentos, sentimentos, crenças e comportamentos do indivíduo, surgindo habitualmente pela primeira vez entre os 16 e os 30 anos. Não está necessariamente associada à Esquizofrenia, podendo ocorrer noutras doenças psiquiátricas como a Depressão, Perturbação Bipolar ou Abuso de drogas ou álcool. Também pode acontecer em situações médicas não psiquiátricas, nomeadamente neurológicas. Um episódio psicótico é tratável e uma proporção dos doentes recupera.

Quais os sintomas?

Variam de indivíduo para indivíduo. Seguem alguns exemplos:

  • Pensamento confuso, em que o doente pode apresentar frases confusas ou incompreensíveis, dificuldade em concentrar-se ou acompanhar uma conversa.
  • Crenças ou ideias erradas, os designados delírios. Por exemplo, acreditar que a sua mente é controlada ou que está a ser perseguido por alguém, sem fundamento lógico e compreensível.
  • Alucinações, em que o doente pode ouvir, sentir, cheirar ou saborear algo que na realidade não existe. Por exemplo, ouvir vozes ou ver pessoas que não estão presentes.
  • Sensações novas, existindo uma sensação de estranheza em relação a si próprio ou à realidade à sua volta. Podem surgir também oscilações de humor.
  • Alterações do comportamento, como risos ou agressividade, sem motivo aparente. Por exemplo, se o doente acreditar que alguém o que matar, pode deixar de comer por acreditar que a comida está envenenada.

Quais as causas?

Nem sempre é possível compreender a causa responsável pelo desenvolvimento de um episódio psicótico. Sabe-se contudo que existem factores biológicos e genéticos que tornam o indivíduo mais vulnerável ao desenvolvimento de sintomas de psicose. Os sintomas podem surgir como resposta ao stress, consumo de drogas ou alguma alteração na vida do doente.

Sinais precoces de psicose

As doenças psiquiátricas raramente surgem repentinamente. Normalmente são precedidas de alterações graduais na sensação de bem-estar e funcionamento geral do indivíduo. O doente pode numa fase inicial:

  • Ficar desconfiado, deprimido, ansioso, tenso ou irritável.
  • Ter alterações de humor, do sono ou apetite, perda de energia ou motivação, dificuldade em concentrar-se ou ter perdas de memória.
  • Sentir os pensamentos lentos ou acelerados.
  • Sentir que algo à sua volta está diferente ou tem um novo significado, mesmo que nem sempre saiba qual é.

Os familiares/amigos podem notar as seguintes alterações:

  • Comportamento diferente.
  • Menor ou maior actividade do que o habitual.
  • Maior isolamento, afastamento dos convívios sociais.
  • Deterioração no desempenho na escola ou no trabalho.
  • Alterações do padrão de sono habitual.

  O que fazer se suspeitar de psicose?

  • Procurar ajuda assim que possível.
  • Deve deslocar-se ao centro de saúde e falar com o seu médico de família, que encaminhará a situação da melhor forma.
  • Lembre-se que o paciente frequentemente não reconhece que tem um problema psiquiátrico. Tente manter-se calmo, apoiante e compreensivo: pode ser bastante assustador passar por uma experiência de psicose.
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda profissional o mais precocemente possível.

  Como se trata?

  • O tratamento da psicose pode envolver o uso de medicação, educação sobre o que é a psicose e implicações na vida do doente, aconselhamento, psicoterapia, apoio familiar e reabilitação (reintegração sócio-profissional).
  • Quanto mais cedo a psicose for identificada e tratada, melhor a recuperação, menor a probabilidade de recaída e melhor o prognóstico.

 

Catarina Ferreira
Interna de Psiquiatria

 

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