08 MAI 2017 | Saúde Mental e Ocupacional | Sara Santos

 Articulação entre cuidados de Saúde Mental e Cuidados de Saúde Primários

 

A saúde mental ocupa uma posição de relevo na sociedade actual. Os problemas do foro da saúde mental, em que se inclui a doença psiquiátrica mas também perturbações de saúde mental que, embora não constituindo doença psiquiátrica propriamente dita, são igualmente causa de sofrimento para quem delas padece e que deverão ser alvo de intervenção, são muito frequentes e importantes causas de incapacidade e de diminuição da qualidade de vida.

Torna-se assim evidente a necessidade de que os serviços de saúde sejam capazes de se organizar de forma a garantir o acesso dos utentes à prestação de cuidados de saúde mental e de garantir a qualidade desses mesmos cuidados, indo de encontro às necessidades das populações. Para que tal seja possível, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que a articulação entre os Serviços de Psiquiatria e de Saúde Mental e os Cuidados de Saúde Primários é de extrema importância.

Os Cuidados de Saúde Primários são, muitas vezes, o primeiro ou único ponto de entrada no sistema de saúde para pessoas com uma série de problemas de saúde mental. Desta forma, o especialista em Medicina Geral e Familiar contacta com a grande maioria dos doentes que sofrem de problemas do foro da saúde mental, dependendo de si a identificação e diagnóstico desses casos e decisão de quais os utentes que referencia para os cuidados especializados de saúde mental. Portanto, os Cuidados de Saúde Primários são uma importante via de acesso dos doentes aos cuidados especializados. Por outro lado, sabe-se que a saúde física e o contexto familiar interferem na saúde mental e esta, por sua vez, tem impacto nas anteriores. Sendo a actividade clínica do Médico de Família baseada numa abordagem centrada na pessoa, orientada para o indivíduo em todas as suas dimensões (física, psicológica e social), para a sua família e a comunidade em que se insere, este encontra-se numa posição privilegiada para prestar cuidados mais abrangentes aos utentes com problemas de saúde mental. Por conhecer os problemas de saúde física, o contexto familiar e os recursos disponíveis na comunidade para o apoio ao utente, o Médico de Família tem a possibilidade de gerir os factores com impacto na saúde mental. Esta gestão é importante para a optimização dos cuidados de saúde diferenciados e especializados, prestados pelos Serviços de Psiquiatria e de Saúde Mental.

Esta interacção e colaboração entre Cuidados de Saúde Primários e os Serviços de Psiquiatria, conseguida através de uma comunicação que se pretende eficaz e bidirecional, é de extrema importância pois permite, através da melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde psiquiátricos dos utentes que deles necessitem, o diagnóstico precoce da patologia psiquiátrica com importantes implicações no seu prognóstico. Permite ainda uma melhor gestão dos recursos de saúde disponíveis e proporciona cuidados de saúde mental personalizados e individualizados, que vão de encontro às características e necessidades de cada utente.

Em conclusão, a articulação entre os cuidados de saúde mental e os cuidados de saúde primários pressupõe que os diferentes profissionais envolvidos trabalhem em equipa e é o caminho para a prestação de cuidados de saúde de qualidade.


Sara Santos
Interna do Internato Complementar de Medicina Geral e Familiar

Pub

Achou este artigo interessante, partilhe-o com os seus amigos!

VISITE TAMBÉM A PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DE MAFRA

Partilhe com os seus amigos!