03 Jul 2017 | Saúde Mental e Ocupacional | Maria João Avelino

 Ansiedade

 

O que é?

Não há uma definição universalmente aceite de ansiedade. Pode-se entender como um estado emocional que possui a qualidade subjectiva sentida do medo ou de uma emoção muito próxima. É desagradável, negativa, dirigida ao futuro, por vezes exagerada relativamente à ameaça e implica sintomas corporais subjectivos e manifestos. É um estado emocional transversal à maioria das perturbações psiquiátricas.

Há autores que separam a ansiedade-estado da ansiedade-traço. A primeira é uma emoção transitória caracterizada por um alerta fisiológico e a percepção de sentimentos de apreensão, de temor e de tensão. A ansiedade-traço, em contrapartida, é uma predisposição para responder de uma forma ansiosa e, mais precisamente, a tendência a responder pelo medo a estímulos stressantes.

 

Ansiedade e medo: semelhanças e diferenças

A ansiedade é considerada como distinta de emoções como o medo e o pânico, que estão funcionalmente associadas ao confronto presente e imediato com o perigo e, não unicamente, com a detecção, a antecipação e a preparação do perigo.

Nos dois quadros seguintes mostram-se as semelhanças e diferenças entre os dois.

 

Quadro 1. Semelhanças entre o medo e a ansiedade

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Quadro 2. Diferenças entre medo e ansiedade

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Exemplos de Perturbações da ansiedade

Algumas Perturbações psiquiátricas têm como sintoma nuclear a ansiedade. Exemplos destas patologias são:

 

. Fobia específica: medo ou ansiedade marcados em relação a um objecto ou situação específica (por exemplo, viajar de avião, alturas, animais), desproporcionado relativamente ao seu perigo real e com evitamento persistentes.

. Perturbação de Ansiedade Social (Fobia Social): Medo exagerado e persistente da avaliação negativa feita por terceiros em situações sociais ou de desempenho, com evitamento dessas situações.

. Perturbação de Pânico: é caracterizada pela ocorrência súbita e inesperada de ataques de pânico que podem ter uma frequência de vários ataques num só dia até alguns ataques ao longo de um ano. Um ataque de pânico é um período abrupto de intenso medo ou desconforto acompanhado de sintomas somáticos ou cognitivos (ritmo cardíaco acelerado, palpitações, tremores, sensação de falta de ar, suores, sensação de morte iminente, medo de morrer ou de perder o controlo, entre outros). Frequentemente acompanham-se de comportamentos de evitamento e fuga e preocupações associadas à possível repetição dos ataques.

. Perturbação de Ansiedade Generalizada: Ansiedade e preocupação excessivas sobre vários acontecimentos ou actividades (por exemplo, desempenho laboral ou escolar), associados a vários outros sintomas (inquietação, nervosismo ou tensão interior, fadiga fácil, dificuldades de concentração ou mente vazia, irritabilidade, tensão muscular e perturbações do sono).

 

Como se trata?

Dependendo da perturbação específica, curso da doença e sua repercussão no funcionamento da pessoa, o tratamento pode ser farmacológico, psicoterapêutico ou a combinação dos dois.

 

Maria João Avelino
Médica psiquiatra e Coordenadora Clínica da Unidade Comunitária de Psiquiatria de Mafra- Espaço  MESMO.

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