11 Jun 2017 | Cultura & Lazer | JM

António José da Silva, “O Judeu” é o autor de “Guerras do Alecrim e Manjerona”, texto que serviu de base a esta encenação de Lourenço Henriques. O autor foi contemporâneo do rei João V e por ser judeu, iluminista e dado a convívio intelectual com “estrangeirados” veio a morrer na fogueira da inquisição em 1739.

“Guerras do Alecrim e Manjerona”é geralmente considerada uma paródia da ópera italiana, tudo girando em torno de jovens casadoiras romanticamente perseguidas por caçadores de fortunas.

O encenador decidiu, embora mantendo algumas marcações típicas deste tipo de teatro, fazer um aggiornamento da linguagem e montar a peça num cenário minimalista. O resultado pareceu equilibrado e o desempenho dos actores saiu a contento, demonstrando que o profissionalismo “rende”, embora talvez com um pouco de improviso a mais e com alguns lugares comuns de linguagem à mistura.

Lamenta-se o reduzido número de espectadores, resultante porventura do facto de estar a decorrer na Ericeira uma apresentação de marchas populares, e de haver um aumento da oferta cultural, como vai acontecendo ultimamente a partir do momento em que os rigores do Inverno abandonam o concelho, mais a mais, neste especial ano de eleições autárquicas.

Há alguém encarregue de coordenar (por 500 € por mês) os eventos que ocorrem enquadrados nas comemorações do 300 anos, como era o caso, assim, talvez fosse possível realizar estas apresentações teatrais de uma forma melhor coordenada (já que é de coordenação que se fala) com a calendarização da restante oferta.

 

Encenação e versão: Lourenço Henriques e Assistência: Filipa Pesca

Em cena: Vítor Emanuel, Raquel Oliveira, Francisco Arraiol, Sílvia Marques, Telmo Mendes, Daniela Onis, Lourenço Henriques, Filipi di Ramo e Rafael Pavão.

Escrito no séc. XVIII por António José da Silva, “O Judeu” Guerras do Alecrim e Manjerona, é um texto demonstrativo da dramaturgia portuguesa daquela época. Tem a dupla virtude de nos mostrar apontamentos do que eram a sociedade e a linguagem da época e, ao mesmo tempo, de nos fazer ver que muitas coisas se mantêm iguais desde há trezentos anos.

Sinopse: A peça gira em torno da conquista de duas moças casadoiras por parte de dois fidalgos falidos, pouco sérios e de parcas qualidades, tão fracos nos seus atributos que apenas com o auxílio de criados conseguem levar avante o seu intento. Uma comédia de enganos, à boa moda portuguesa, Guerras do Alecrim e Manjerona, nesta versão adaptada, é um espetáculo acessível e divertido, carregado de situações rocambolescas, que promete fazer rir o público, dos 10 aos 100 anos de idade.

Próximas datas:
Dias: 16 e 17 de Junho (ultimo fim de semana em Mafra)
Hora: 21h30
Local: Mafra, Auditório Municipal Beatriz Costa

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