Personalidade política ímpar da história política moderna de Portugal, Ramalho Eanes, militar que participa no 25 de Abril, chegando a presidir ao Conselho da Revolução após o 25 de Novembro e assumindo em determinado momento histórico, a dupla função de Presidente da República e de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, foi hoje homenageado pelas forças armadas, em Mafra, na Escola das Armas, sendo o local da homenagem sugerido pelo próprio Eanes.

Com a pompa e circunstância que todas as cerimónias militares fazem questão de assumir e contando com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, dos chefes dos três ramos e do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, do presidente da associação 25 de Abril e do presidente da câmara municipal de Mafra, tivemos hoje ocasião de ouvir o CEMGFA, Ramalho Eanes e Marcelo Rebelo de Sousa. Antes disso, no entanto, os presentes foram brindados com um ato de “encomendação das almas” a cargo de um frade católico que também adornou a primeira fila do palanque.

A “reentrega” da espada, hoje consumada por Eanes, a postura cívica que tem assumido e a recusa do grau honorífico de Marechal, são sinais de modéstia democrática pouco comuns num militar que representa hoje e ainda, uma certa forma de ver o poder enquanto um serviço, uma forma infelizmente cada vez mais caída em desuso à medida que a política se vai deslocando para o terreno dos interesses

Sério, honesto, incorruptível, foram palavras certas que ecoaram hoje pela parada, para definir o homem, o militar e o político que coexistem em Ramalho Eanes. Também o 25 de Abril esteve hoje presente, quer nos três discursos, sendo esta evocação do momento fundador da democracia portuguesa ainda mais significativa, pelo facto de ocorrer num concelho que há muitos anos não comemora – deliberadamente e por iniciativa do poder local – o 25 de Abril, de um modo institucional.

Representando bem a visão de serviço que tem marcado a actuação do general Ramalho Eanes, enquanto político e enquanto militar, tendo este recebido uma espada oferecida pela instituição militar, como símbolo do papel que desempenhou na consolidação das funções próprias que a instituição desempenha, Eanes devolveu a espada, na pessoa do Presidente da República, considerando que aquilo que ela simboliza, pertence, afinal a todos os portugueses e não a ele mesmo.

Sério, honesto, incorruptível, sereno, Eanes representa hoje tudo aquilo que grande parte do “pessoal” político não tem, ou seja, desapego ao poder, reconhecida seriedade, humildade democrática e reconhecimento de que o poder é um serviço efémero prestado à comunidade.

A “reentrega” da espada, hoje consumada por Eanes, a postura cívica que tem assumido e a recusa do grau honorífico de Marechal, são sinais de modéstia democrática pouco comuns num militar que representa hoje e ainda, uma certa forma de ver o poder enquanto um serviço, uma forma infelizmente cada vez mais caída em desuso à medida que a política se vai deslocando para o terreno dos interesses

 

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