30 Jun 2017 | Politica Local| JM

Teve ontem lugar aquela que será a penúltima sessão da Assembleia Municipal (AM) desta legislatura, a próxima terá lugar no inicio de Setembro “o mais cedo possível, se possível no dia 1, por causa das eleições”, segundo palavras de José Bizarro, Presidente da AM, como se a assembleia municipal fosse uma instituição onde se fizesse outra coisa, que não seja isso mesmo, política.

A sessão ficou marcada pela intervenção de Pedro Tomás, deputado municipal pelo PS. Apoiante de António José Seguro e funcionário do PS durante o mandato daquele secretário geral, Pedro Tomás tem-se distanciado das politicas de António Costa, nomeadamente da sua política de alianças, comummente designada como “geringonça”, tendo vindo a mostrar-se crítico relativamente várias posições do seu partido quer a nível nacional, quer a nível local.

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Nesta intervenção, depois de ter referido aquilo que considerou a mais-valia das obras realizadas pelo governo no concelho de Mafra, focou-se nos problemas que recentemente têm envolvido a Tapada Nacional de Mafra. Aqui, este deputado distanciou-se novamente das posições assumidas pelo PS a nível local, referindo que a “gestão da tapada tem sido ruinosa”, manifestando-se ainda contra as orientações da actual directora nomeada pelo ministro da agricultura, Capoulas Santos, referindo que “aquela senhora directora é um desastre, o ministro só tem uma alternativa, demitir a directora”. Esta posição de Pedro Tomás gerou mal-estar na bancada do PS, levando mesmo Leila Alexandre a tomar a palavra em nome da bancada, para vir esclarecer que “a posição de Pedro Tomás não representa a posição do PS Mafra”.

 

 

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O PSD pela voz de Isilda Pegado apresentou uma moção focada na reabilitação do Portinho da Ericeira, apelando ao governo para que promova um concurso público internacional destinado a reabilitar aquela estrutura e a dota-la de condições para o exercício da pesca profissional e da navegação de recreio.

Ashampoo_Snap_2017.06.30_13h59m22s_009_ Em resposta, Júlio Lopes, deputado municipal pelo PS e antigo responsável pela lota da Ericeira, referiu que já não se vende peixe na Ericeira desde 2015, razão pela qual deviam ser as câmaras municipais onde a venda do peixe constitui fonte de receita, a assumir os custos da reabilitação do porto. Esta moção foi aprovada com os votos do PSD, da deputada do CDS e de um deputado do PS.

 

 

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A CDU, pela voz de José Martinez colocou um grupo de questões relacionadas com a gestão financeira de Câmara Municipal e manifestou o desagrado da bancada da CDU relativamente ao pouco tempo que medeia entre o recebimento dos documentos pelos deputados municipais e o momento em que ocorre a assembleia (48 horas, habitualmente). Nesta sessão da AM, só um dos documentos apresentados tinha 932 páginas. Esta situação, que é recorrente, obriga os deputados assinar de cruz, pois ninguém terá capacidade de absorver, avaliar e decidir num tempo tão escasso. Esta situação não dignifica o órgão e muito menos quem o gere deste modo, embora isso não pareça preocupar os responsáveis, os quais argumentam que a lei está a ser cumprida.

 

 

 

Fazerem-se eleições para as Assembleias Municipais, com os custos inerentes, financeiros e políticos, e depois não dar condições e oportunidade aos deputados municipais para se debruçarem sobre os temas em discussão, acaba por fazer destas sessões um exercício de tédio e de cinismo, um palco de ironias, ou contribui para transforma-las num circo politico onde a democracia se envergonha de residir.

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