Decorreu ontem na Junta de Freguesia da União das Freguesias da Venda do Pinheiro e Santo Estevão das Galés, a 1ª Assembleia para esclarecimento e discussão do Orçamento Participativo 2015.

Numa sala composta – discutiu-se, se a adesão das pessoas seria a necessária, a expectável ou se a Junta de freguesia teria feito tudo para que estivesse presente o maior numero de fregueses possível – assistimos à discussão da adequação da metodologia adoptada, dos artigos do regulamento, do envolvimento dos fregueses, do tipo de projectos com capacidade de ser viabilizados, do método de apresentação dos mesmos e do sistema que irá levar à decisão final acerca daqueles que verão a luz do dia, no contexto deste orçamento participativo 2015.

Como principio de conversa, uma saudação ao executivo da JF da Venda do Pinheiro e Sto. Estevão das Galés, pela iniciativa de iniciar um processo que, tanto quanto sabemos, é experiência pioneira no concelho. Num momento especialmente complexo da vida da Europa, num momento que poderá vir a constituir-se numa encruzilhada para o sistema, sobretudo a partir das experiência grega, das perspectivas da sua extensão a Espanha, das mudanças politicas em Itália,  do que parece ser o soçobrar de uma certa forma elitista de ver a acção politica e do conservadorismo metodológico português, encontrar no interior, uma Junta de Freguesia que decide dar voz aos fregueses, fora da liturgia periódica das eleições autárquicas, é uma iniciativa que só podemos louvar. É uma iniciativa que aproxima os eleitos dos eleitores, que pode permitir afinar a pontaria dos objectivos estratégicos, que pode, assim haja humildade suficiente, contribuir para definir alguns dos objectivos de curto prazo para este território.

Convenhamos que alocar 2000 € a este projecto, é curto, muito curto. Isso mesmo foi salientado no decurso da sessão por vários intervenientes, no entanto, esta é, a nível local, uma primeira iniciativa, um campo em que as estruturas de gestão não têm ainda um saber de experiência feito. Deste modo, embora considerando que num orçamento de 300 e poucos mil euros (dos quais metade se destinam a salários), se poderia/deveria ir um pouco mais longe, e que 2000 € , nos tempos que correm, poderão ser um óbice para que desta experiência se possam tirar muitos ensinamentos válidos, a verdade é que o simples despoletar desta iniciativa, vale por si mesmo enquanto expressão de cidadania, enquanto forma de dar  força à participação dos fregueses.

O regulamento estará talvez blindado demais, o executivo estará talvez demasiado à defesa, a comissão será talvez constituída por pessoas que não estarão a dar tudo, no seu todo, os estudos prévios e o planeamento da iniciativa talvez precisassem de algum afinamento, mas o pioneirismo desta iniciativa no concelho é uma experiência importante, assim se queira e se saiba extrair dela todos os ensinamentos, transformando o futuro numa realidade mais participada e mais próxima dos cidadãos.

BANNER1-entre-artigosTOPO

Partilhe com os seus amigos!