1 FEV 2017 | Politica Local | JM

O Jornal de Mafra inicia aqui o ciclo de entrevistas que irá abrir a cobertura das eleições autárquicas deste ano.

O primeiro candidato conhecido à Presidência da Câmara Municipal de Mafra é José Alberto Maduro Cardoso (JAC), com quem estivemos à conversa.


 

JMQuem é José Alberto Cardoso, que não será talvez, das pessoas da CDU mais conhecidas no concelho?

JAC –  Não concordo que não seja uma pessoa conhecida no concelho. O concelho de Mafra é extenso e heterogéneo, e na Ericeira sou bastante conhecido. Cheguei à Ericeira há vinte e tal anos e fui incumbido de uma tarefa que me obrigou a um contacto grande com a população da Ericeira e das localidades limítrofes,  fui incumbido da instalação de uma nova escola na Ericeira, a Escola C+S da Ericeira, onde fui director e onde fui também professor. Esta foi a profissão que eu sempre quis desempenhar e o meu percurso na área educacional é prova disso mesmo.

Para além das artes – que têm a ver com a minha formação, sector onde tinha lugar assegurado, pois o meu pai tinha uma gráfica – eu lutei por ser professor e quis dedicar-me à educação, pois foi algo que fiz sempre com muito gosto. Na área educativa desempenhei quase todos os cargos, tendo-me dedicado muito à formação de professores, quando a formação de professores era feita com muita qualidade sob o modelo de estágios clássicos.

Nos anos 80 fui convidado para fazer uma grande remodelação na fábrica Interdecal e Sodecal do Grupo Vista Alegre, uma fábrica com cerca de 70 trabalhadores, altamente especializados. O desempenho destas funções levou-me a fazer uma formação intensiva na Suiça, na Suécia e em Espanha. Estive 5 anos na Vista Alegre, depois fui convidado para ir para a SPAL.

Mais tarde decidi voltar ao ensino, à minha escola na Ericeira. Continuei a dar aulas até chegar à reforma. Foi então que me senti mais disponível para a acção politica.

 

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JM – E quanto a actividades de lazer, gosta de futebol, por exemplo?

JAC – Sou do Benfica desde pequenino, fui mesmo ginasta do clube, com uma actividade desportiva intensa até uma determinada idade, tendo participado inclusivamente na inauguração do antigo estádio da Luz em 1953. Para além disso, gosto de ler e gosto muito de cinema. Também gosto de visitar exposições de arte.

 

JM – Sente-se mais designer, pintor, gestor, professor ou político?

JAC - Politico com certeza. Há muito que tinha tomado a decisão de, quando estivesse reformado, dispondo de mais tempo, dedicar-me mais à politica, coisa que fiz. No entanto, há coisas na vida que alteram os nossos projectos, e eu tive um problema e tive de o resolver. Sou filho único e tive de tomar conta do meu pai e da minha mãe e passei a ser cuidador, o que exige muito esforço e é uma tarefa muito difícil, limitando bastante a nossa liberdade de acção.

No fundo não vejo necessidade de fazer uma escolha entre as actividades que referiu, sou um cidadão interessado, atento ao que se passa.

 

JM – Entrou no Partido Comunista antes ou depois do 25 de Abril de 1974?

JAC - Entrei no Partido Comunista depois do 25 de Abril.

 

JM – Reformou-se do ensino há quanto tempo?

JAC - Reformei-me há cerca de 5 anos.

 

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JM – Que avaliação faz da actual gestão da Escola António Bento Franco da Ericeira?

JAC -  Sou muito critico relativamente à gestão actual da escola da Ericeira. Isto não será novidade para ninguém, uma vez que fui opositor ao actual director da escola no concurso que houve e que perdi. Eu estou contra o processo de escolha dos directores, sou a favor de uma gestão democrática das escolas e não deste processo que beneficia por exemplo estruturas como a Associação de Pais, que tem 6 elementos no Conselho Geral enquanto os professores têm 3 elementos.

Tive na altura o apoio total da câmara, por exemplo da Drª Paula Cordas, tive também o apoio de alguns professores, mas a Associação de Pais votou em peso na continuação da gestão que estava. Eu apresentei um projecto de gestão completamente alternativo, relativamente ao projecto do professor Alfredo.

Sou muito crítico em vários aspectos, relativamente ao modo de gerir a escola, e em termos educacionais também sou muito crítico. Quando voltei à escola, quase que nem conhecia a minha escola, nem conhecia a minha disciplina, a qual estava a ser gerida não por um, mas por dois professores.

 

JM – Como é que um pintor olha para a coisa politica?

JAC – A minha ligação às artes não condiciona a forma como olho para a política, antes pelo contrário.

 

JM – Que aportes trouxe à politica a sua experiência como gestor?

JAC - Trouxe fundamentalmente experiência. Trouxe a possibilidade de aplicar na prática alguma da teoria que aprendemos. Permite consolidar a teoria com base na prática e não só nos aspectos relacionados com a gestão, mas também na área artística, não indo mais longe, por exemplo, na forma como se decora o centro de trabalho do partido.

 

JM – Porque é que a CDU Mafra tem tão poucos militantes jovens?

JAC – É realmente um problema que temos em Mafra, e é um problema importante. A razão disso parece-me simples, a organização da CDU em Mafra, nos últimos anos, tem tido muitas limitações. As principais limitações relacionam-se com a falta de matéria humana para trabalhar e para se desenvolver. Estamos agora a dar os primeiros passos para consolidar não só a organização mas também o desenvolvimento do partido.

Pela primeira vez, iremos apresentar bastantes jovens nas nossas listas autárquicas. Tal como nas últimas eleições, iremos concorrer a todas as Assembleias de Freguesia do concelho.

 

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JM – Que significado é que a CDU Mafra atribui à saída do seu militante de tantos anos e ex-vereador da CDU, Rogério Costa?

JAC – Não temos nada a explicar. Respeitamos uma decisão individual que a pessoa tomou num determinado momento, decisão que explicitou connosco, e nós aceitámos. É uma decisão pessoal. As pessoas têm liberdade de mudar de opinião e nós respeitamos isso. Só o próprio poderá dizer as razões que o levaram a tomar essa decisão.

Para nós, esse é um assunto completamente encerrado, nem fazendo parte das nossas reuniões, no entanto, uma posterior tomada de posição do partido poderá depender das razões que possam ou não vir a ser publicamente invocadas para a saída desse militante.

 

JM – Que avaliação faz deste mandato de Hélder Silva à frente da Câmara Municipal de Mafra?

JAC – Nós somos muito críticos relativamente a esta gestão . É uma gestão muito personalizada, muito individualizada no “eu”, e isso tem repercussões no funcionamento da câmara e nas decisões que se tomam. Nós somos a favor de uma gestão muito mais participada, uma gestão em que se oiça muito as populações e os munícipes. Esta gestão é personalizado numa única pessoa, tendo uma actuação que em termos de obras realizadas no concelho, é muito para  “inglês ver”.

Como sabe o presidente mora na Ericeira, gosta daquela zona especificamente, fez muita obra lá, mas as periferias estão completamente esquecidas e abandonadas. Na Ericeira, da estrada para baixo, faz-se muita obra,  já a parte de cima da estrada principal, onde reside a maior parte dos munícipes que pagam IMI, está completamente esquecida.

Há vários aspectos da vida politica do concelho que vão ser alvo da nossa análise cuidada e que farão parte do nosso programa eleitoral. Neste momento dedicamos esforço na construção de um programa eleitoral baseado na opinião dos cidadãos e dos munícipes do concelho.

 

JM – Acordos à esquerda, pré ou pós eleitorais, estão na mira ou é uma questão fora de questão?

JAC - Não estão nem pré- nem pós-, mas aproveitaria para explicar o seguinte. A CDU é, por si mesma, uma coligação à esquerda, ou seja, temos nas nossas listas militantes do Partido Comunista, militantes do Partido Ecologista “Os Verdes”, da Intervenção Democrática e temos independentes. Há pois quatro grupos diferentes nesta coligação.

O acordo parlamentar agora em vigor no país teve uma vantagem muito grande, a possibilidade de a população perceber finalmente que nas eleições legislativas não se elegem primeiros ministros, que era uma coisa em que andávamos todos enganados. Quem elege o primeiro ministro é a Assembleia da República. Relativamente às autarquias, passa-se um pouco o mesmo, as eleições irão determinar quem são os eleitos, e será essa dinâmica que permitirá analisar a situação. Está pois a pedir-me que eu faça uma antevisão dos resultados eleitorais.

Esta ideia de haver uma coligação à esquerda é completamente falsa. O que há neste momento é um governo do Partido Socialista, que é minoritário, e é esse governo minoritário do PS que está a aplicar o seu programa de governo. Pontualmente, neste caso a CDU, apoia determinados pontos, que fazem parte do nosso programa, para melhorar em muitos aspectos a vida da população portuguesa.

Respondendo à sua pergunta, vai depender das circunstâncias, havendo uma coisa que a CDU já decidiu e irá cumprir rigorosamente, cada decisão que tomarmos será baseada no melhor interesse dos trabalhadores, dos munícipes e dos cidadãos. A CDU irá apoiar tudo o que seja a favor dos trabalhadores, dos munícipes e dos cidadãos, seja quem for que apresente essa proposta. Se houver coincidência de outras forças a quererem votar os nossos projectos, óptimo. Vou dar um exemplo de um acordo que não foi à esquerda, mas que foi de todos os vereadores, uma proposta da CDU que foi apresentada na câmara e que foi votada por unanimidade por todos os vereadores, refiro-me à proposta do passe intermodal, isto apesar de o presidente se ter esquecido de referir que a proposta foi da CDU.

 

JM – A CDU apresenta-se sob o lema “Um novo rumo para o concelho de Mafra”, que rumo é esse?

JAC -  Em termos de concretização das medidas preferiria esperar pela apresentação do programa da candidatura. Não significa que não tenha as minhas opiniões mas vou respeitar a nossa maneira de trabalho, que é esta.

 

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