3 MAI 2017 | EDITORIAL | JM


O artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos reza assim:

“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. ”


Entre 172 países, Portugal ocupa um honroso 23º lugar no que respeita ao exercício da liberdade de imprensa, representando o caminho que a sociedade portuguesa fez nesta área, a partir do golpe de estado de Abril de 74 que pôs fim a muitos anos de censura. No entanto, mesmo num país pequeno como o nosso (ou talvez por isso mesmo) a liberdade de imprensa, assegurada pela lei e pelas instituições, é feita de muitas matizes.

A liberdade de imprensa não se esgota na letra da lei, nem na simples expressão livre de ideias, ou tão pouco, numa enunciada, mas frequentemente virtual liberdade de acesso às fontes. Exercer a profissão no concelho de Mafra significa ter de ultrapassar uma série de desafios de que poucos dos nossos leitores se darão conta quando abrem o Jornal de Mafra.

O facto de haver entidades públicas locais que não respondem a emails, ou a pedidos de esclarecimento e/ou de informação, passando pela inexistência de dossiers/notas de imprensa que nos indiquem horários, participantes e guiões das cerimónias ou dos actos públicos de média ou grande envergadura organizados pelas entidades locais, dificulta muito o nosso trabalho, afecta a sua qualidade e prejudica os nossos leitores.

O tratamento desigual dos órgãos de comunicação social (OCS) legalmente habilitados a exercer actividade no país e no território, para já não falar no tolerar de empresas que funcionam como OCS sem estarem legalmente habilitadas para o efeito, constitui igualmente um importante desafio com que nos defrontamos. Este tratamento desigual pode assumir muitas formas, passando pela retenção de informação “ad hominem”, ou pela atribuição de apoios logísticos (por exemplo, OCS a operarem em instalações municipais) a OCS escolhidos, ou pela realização de compras a empresas que detêm OCS e que simultaneamente se dedicam a outras actividades (ironia das ironias, apoios pagos também por nós, através dos impostos que desembolsamos).

Estas são situações que distorcem a concorrência criando dependências que não servem a liberdade de imprensa, prejudicando assim, mais uma vez, os nossos leitores.

Embora sintamos como profissionalmente desagradáveis algumas situações por que nos vemos obrigados a passar, embora a qualidade do trabalho que pomos à disposição dos nossos leitores se veja por vezes afectada pelo facto de sermos tratados de um modo menos equitativo, embora tudo isto se reflicta igualmente em condicionantes de carácter financeiro que não permitem ao JM ir tão longe quanto gostaria, apesar de tudo isto, devemos confessar que a independência editorial, a liberdade de criação e o facto de sermos só nós a escolher o caminho que trilhamos, supera todos estes obstáculos, só lamentando, mais uma vez, o prejuízo que daqui resulta para os nossos leitores.

Na verdade, não são os aplausos que nos (em qualquer actividade humana) impulsionam a fazer mais e a fazer melhor, são as críticas, são os reparos, são aqueles que nos empurram para fazer sempre mais, para fazer sempre diferente, para fazer da imprensa um serviço à comunidade, para prestigiar a liberdade de imprensa, que nos impulsionam a não viver à sombra dos poderes, vistam-se eles de que cores se vistam.

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