por Vicente Gil

22 Jun 2017 | CRÓNICAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER| JM

HISTÓRIA DA CAROCHINHA E DO JOÃO RATÃO

(Conto infantil para qualquer idade, porque os miúdos de agora já têm a escola toda, sabem mais que a Maya…)

 

A Carochinha vivia numa chique moradia da Quinta da Marinha, com piscina, jacuzzi e vista para o mar. Herdara-a do marido Carocho que morreu de overdose… Dizia-se à boca pequena que morrera chupadinho das carochas…

A Carochinha era uma desavergonhada. Não bastava ser agarrada ao cavalo, como ainda vinha para a janela, mamas ao léu, apregoar os seus dotes de brasileira descarada: “Quem quer acasalar com a Carochinha que é boa da perninha e faz maravilhas na cama, no sofá e na cozinha!…”

A Branca de Neve sofria Himalaaaaaias de horrores com estes desvarios. Como vizinha, tinha de se cruzar todos os dias com os “hóspedes” da Carocha; Um desassossego… era o burro, era o cão, era o Pinóquio, era o Calimero, os três porquinhos, o Pato Donald, os bombeiros de Cascais…  até o Batman e o Robin (que consta serem namorados) eram vistos a entrar para molhar a sopa…

“Olhe queridaaaaa… a menina vai ter de se mudar deste bairro, pecebeeee? Isto é um condomínio para gente decente, com pedigree, com berço, está a vêeer?…”

“Olha-me esta!… ouve lá ó peniqueira… eu alguma vez disse alguma coisa por causa do pinguço do teu marido andar enrolado com a mamalhuda da mulher do ministro?… E julga que eu não sei das poucas vergonhas que fez com os sete anões? Cale-se mas é… vá lavar a loiça e remendar peúgas… flausina de meia tigela”

Branca de Neve nem respondeu. Era uma senhora de boas famílias. Odiaaava peixeiradas…

Era tudo mentira. Casara virgem porque os sete anões, quem os queria ver era no Trumps e no Finalmente a fazer karaoke, a abanar o capacete e a dar gritinhos de mariconso.

Foi falar com o gestor do condomínio, o Sr Eduardo de Albuquerque Mendonça de Menezes, mais conhecido por João Ratão, e fez queixa da vizinha.

Truz, truz, truz… “Quem é?”… “Sou eu o João Ratão, do Condomínio…”

A Carochinha veio abrir a porta vestindo umas cuequinhas tão pequenas que mal tapariam um coroço de azeitona…

João Ratão teve uma falha de memória repentina e esqueceu totalmente ao que viera…

E mesmo que se lembrasse, os “argumentos” da Carochinha eram arrasadores…

Duas horas depois, quando saiu, cheio de marcas de baton, desgrenhado e a cambalear, estava decidido: Deixou a mulher (uma feia e sorumbática Rata de Sacristia) e foi viver com a Carochinha.

Não… não casaram nem tiveram um rancho de filhos…

Uns meses depois a Carochinha voltou para o Brasil, cheia de dinheiro, e deixou o João Ratão cravado de dívidas.

Desiludido com a vida, atirou-se para dentro dum caldeirão de feijão com hortaliça onde morreu de morte macaca.

 

Moral da história: Sopa de feijão com hortaliça faz mal à saúde de Ratões patós.

Pub

Achou este artigo interessante, partilhe-o com os seus amigos!

VISITE TAMBÉM A PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DE MAFRA

Partilhe com os seus amigos!