27 ABR 2017 |CRÓNICAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER | VICENTE GIL

Deus Está-te a ver!
por Vicente Gil

 

Volta e meia dou por mim a espreitar para um jornaleco cujo nome agora “namalembra” mas soa qual coisa como Canjirão, Corrimão ou lá o que é…
Mas adiante…
Dizia a senhora a senhora editorialista que parece que Deus Todo Poderoso criou os Céus e a Terra e depois os abandou à sua sorte. Ela disse “parece que”; Logo a seguir esclarece que não é nada disso.
Segundo esta piedosa senhora, Deus está atento à sua Criação (não as galinhas e os patos de Deus; O Universo mesmo) e intervém quando lhe apraz.
Fantástico!
Assim fico muito mais descansado!
Obviamente, eu acredito piamente na Providência Divina; Deus jamais ao abandonar os seus filhos e deixar que fossem trucidados por ditadores, morressem de morte macaca esquartejados por uma bomba ou esmigalhados debaixo de um tractor!
Quando Deus, na sua omnisciência, vê que os seus filhos estão aflitos, manda Maria aparecer a pastorinhos analfabetos e pede-lhes para fazer sacrifícios pelos pecadores, tipo não beber água no pino do Verão, meter pedras no sapatos e aguentar sem se queixar das maldades feitas por gente ruim. Como Deus é bondoso, fica muito contente com estes actos de amor e já não manda leucemias nem cancros cerebrais a crianças de 5 anos.
Deus podia fulminar instantaneamente os terroristas, os homicidas, os estupradores de crianças, os banqueiros ladrões e gente semelhante, corrigindo assim os erros da Humanidade; Podia evitar que terramotos e furacões matassem milhões de inocentes, podia acabar com as mortes à fome no mundo e com as guerras genocidas… Podia mas não o faz.  Porquê? É um mistério!
Se o mundo está repleto de horrores e nada acontece que não seja por vontade do Todo Poderoso, só podemos concluir que isso acontece para nosso bem.
Não fosse eu ter uma fé mais sólida que o Convento de Mafra e já teria apostatado. Custa-me a perceber como é que um Deus infinitamente clemente e compassivo tenha mandado o seu próprio filho à Terra com o propósito de ser assassinado, redimindo, assim, toda a Humanidade para sempre… Para sempre mas se alguém tem o azar de morrer sem se confessar, malha com o panal no Inferno na mesma!
É por estas e por outras que bebo cada palavra da nossa erudita editorialista do Carrinhodemão, me extasio com a doçura das suas palavras, me deixo enredar nos seus discursos ocos e circulares e continuo a ter fé.
É tão bom ir à missa e estar perante um sacerdote que, entre rito mágicos, nos prenda à cadeira com sono, nos brinde com homilias gongóricas, com lugares comuns e conversas de encher chouriços…
Que seria de mim sem a minha fé inabalável?
Se a gente não entende 90% daquilo em que acredita, há é que aceitar tudo, tipo pacote, e pronto!

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