27 MAR 2017 | Crónica | Jorge C Ferreira

Crónica de Jorge C Ferreira
“Copos e Mulheres”

 

Ora então vamos lá falar destas coisas dos copos e das mulheres. Não fosse o horrendo atentado terrorista em Londres e continuaríamos a falar desta diatribe do puto holandês de cabelos encaracolados.

O que ele queria dizer é que aqui a maltosa só quer é: “putas e vinho verde”, como se dizia no meu tempo. Falta-lhe cultura. O imbecil não sabe que no tempo do ditador havia uma frase célebre: “Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses”. O gajo que disse que tinha mestrados que não tinha, um aldrabão portanto, virou tudo ao contrário. Só por ter aldrabado o curriculum devia ter sido corrido. No entanto continua a arrastar os fundilhos pelas leprosas cadeiras de Bruxelas.

Agora, por aqui, já acabaram as tascas e as covas fundas dos galegos.  Já não temos as tabernas com um papagaio que dizia asneiras à porta durante o dia e “galarós” durante a noite. Tabernas “non stop” abertas vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Já não cuspimos para o chão coberto de serradura, já não há escarradores nos hospitais civis. Esse holandês é um nojo. Não sei se bebe. Tem ar disso e de outras coisas que aqui me inibo de falar. Olhem bem para ele. Tirem-lhe a pinta.

Então esses nossos amigos do norte da Europa que já chegam aos aeroportos do sul bêbados que nem cachos e depois se enfrascam por aqui dia e noite é que nos vem falar dos copos e das mulheres.

Que grande lata têm esta gente com uma pulseira colorida, do tudo incluído, e sempre de copo na mão. Muitas vezes chegam e partem bêbados sem saírem dos hotéis e sem terem a mínima noção de onde estiveram.

Ouve lá holandês de nome impronunciável, não tens mais nada que fazer? Não te gramo pá e não é pelo que disseste agora, já não posso contigo há muito tempo. É assim uma coisa…eu sei lá! Olha, fico com uma alergia na pele…uma espécie de urticária.

Esta gente não se enxerga. Eu que não bebo e os vejo beber fico doido com estas coisas.

Há pouco andei algum tempo a viajar com gente destes países à volta do mundo. Posso-vos dizer que os tipos de quanto mais a Norte eram naturais mais bebiam. Ainda não tinham acabado o copo que estavam a beber e já estavam com ele erguido para os empregados a pedir mais. Muitos começavam a manhã com um “cognac” e uma cerveja.

O partido do rapaz de caracóis levou uma tareia nas eleições holandesas que até doeu. Também com gajos como este “fuinhas” outra coisa não seria de esperar. Era com isto que o imbecil se devia preocupar. Mas não, como estava a dar uma entrevista a um jornal alemão, resolveu tentar agradar aos donos. Pensou que assim teria a continuação no “tacho” garantida. Acho que se enganou. Espero que se tenha mesmo enganado. Estou farto da cara do rapazinho.

Quanto às mulheres não lhe dou conversa. Amo as mulheres do meu País. As mulheres que nos deram e dão vida.

«Também não gosto nada desse que disse essas coisas sobre nós.»

Voz da Isaurinda.

«Tu és sábia minha amiga. Sabes ver onde mora o bem e onde habitam os que gostam de nós.»

Respondo.

«Tu sabes que o meu homem bebia o seu copito, mas sempre me respeitou e que nunca faltou com nada para as filhas.»

De novo Isaurinda.

«Claro que sei. Foi um bom homem. Lembro-me de vocês já não estarem juntos e tu me apareceres de luto, quando ele morreu, como sinal de respeito. Lembro-me de me dizeres quando te perguntei o porquê: “era o Pai das minhas filhas!”»

Respondi.

«Já me fizeste chorar.»

Voz de Isaurinda que assim foi, o pano a limpar os olhos.

Jorge C Ferreira Mar/2017(114)

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