“Palácios: O poder e o espaço | espaços de poder”

24 Jun 2017 | Cultura& Lazer | JM

Nomeado através do Despacho 23942/2008, produzindo efeitos a partir de 1 de Setembro de 2008, o licenciado Mário Pereira dos Santos foi nomeado em regime de comissão de serviço por três anos, renovável por iguais períodos de tempo, para o cargo de Director do Palácio Nacional de Mafra. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, com 17 valores, com pós-graduação na Universidade Nova de Lisboa com a tese “Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico”, tendo desempenhado as funções de professor do ensino secundário e de docente convidado no I.S.C.T.E., na cadeira de Património Cultural, tendo desempenhado também funções como Técnico Superior do Instituto Português do Património Cultural e do IPPC/IPPAR. Da sua longa carreira, fazem ainda parte a Direcção de Projecto no Departamento de Conteúdos da EXPO’98, Presidente da Comissão Instaladora do Pavilhão do Conhecimento, Subdirector do Instituto Português de Conservação e Restauro – IPCR e Assessor da Direcção do IGESPAR.

Mário Pereira deverá deixar este ano a direcção do Palácio Nacional de Mafra (PNM) no final da sua 3ª comissão de Serviço como director do palácio. Homem de modos suaves, de trato muito fácil e de grande disponibilidade, não esconde o grande amor que nutre pelo “calhau”, este mastodonte que João V decidiu mandar construir nesta Mafra portuguesa.

Estamos certos de que Mário Pereira gostaria de ter fechado o seu mandato no palácio com os carrilhões reabilitados, no entanto, as crónicas crises financeiras deste país e as insanes lutas partidárias, não lhe irão, infelizmente, dar esse prazer. De resto, estamos certos de que só as limitações financeiras, as limitações relacionadas com a formação (ou, nalguns casos, a falta dela) de uma parte dos funcionários do palácio, a endogamia crónica de que Mafra continua a padecer e as lutas políticas externas, o terão impedido de deixar uma obra ainda mais profunda.

Este ciclo de Conferências do Palácio Nacional de Mafra será um excelente coroar da sua passagem por Mafra. Para “mostrar” os palácios portugueses, passaram por Mafra, a convite de Mário Pereira, académicos, investigadores e directores de palácios, apresentando uma panorâmica do que de melhor se faz no país nesta área e do melhor que Portugal tem para oferecer às gerações vindouras.

O Jornal de Mafra esteve ontem ao final da tarde na Sala Diana, onde estas conferências tiveram lugar, para assistir (e aprender) à secção que se focou exactamente no Palácio de Mafra.

Nuno Lemos Pires fez uma apresentação intitulada,Os Militares e o Real Edifício de Mafra”. Bom conhecedor do palácio, curioso e afoito, este militar – habituado a fazer apresentações e bom comunicador – cativou os presentes com as pequenas-grandes histórias com o palácio (sobretudo a ala militar) como fundo. Fez uma “visita guiada” focada na ligação entre os militares, o convento, e a realeza nacional. A Sala dos Actos Escolares, do Capítulo, das Decisões, a cripta sob a Basílica, a Capela dos 5 altares e a Capela Real, foram-nos apresentadas com mestria.

Isabel Yglesias de Oliveira (responsável pelas Relações Externas e Comunicação do palácio), “O Real Paço de Mafra – para além do Rei Magnânimo” mostrou-nos as metamorfoses do Palácio Nacional de Mafra, as salas grandes que afinal eram pequenas, o ontem e o hoje de todos os espaços. Mostrou-nos aquilo que todos nós sabemos, mas de que raramente estamos conscientes, mostrou-nos que nem sempre aquilo que parece, é, mostrou-nos que só o estudo cientifico é fonte de saber.

Finalmente, Mário Pereira com A Grandeza do pormenor” fez a sua “oração de sapiência”. Num tom apaixonado mas focado, mostrou-nos aquilo que, no fundo, realmente interessa, realmente distingue, os pormenores, “a grandeza dos pormenores”. Os grandes espaços, a pedra, as escadarias, os engenhos, os foles, as sequenciais decorativas, a água e os seus sistemas de condução, os esgotos, os elementos decorativos intrigantes, os supostos sinais maçónicos, as fechaduras, os espelhos, as dobradiças e as muitas chaves, as inscrições na pedra e a arquitectura sensual que aflora os espaços do palácio.

Que mantenha um caminho de independência politico-partidária, de mundividência e de abertura aos públicos locais, regionais e nacionais, de conivência com a ciência e a investigação, que prossiga em linha com a modernidade e que seja capaz de sensibilizar os poderes (públicos e privados) para a importância no investimento em cultura, são os caminhos que desejamos ver o Palácio Nacional de Mafra trilhar.

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