Candidato à Presidência da Câmara Municipal de Mafra

07 Ago 2017 | AUTÁRQUICAS 2017 | JM

Entrevista – Joaquim Azevedo Silva – Candidato à Presidência da Câmara Municipal de Mafra

 


Quem é Joaquim Azevedo, o candidato à presidência da Câmara de Mafra pela coligação ‘Coragem de Fazer mais’ ?

Tenho 43 anos, sou casado há 21 anos e sou pai de duas crianças com 12 e 6 anos. As minhas origens não são daqui, mas há 14 anos decidi criar os meus filhos no concelho de Mafra, um concelho com um clima ameno, próximo do mar, com boas estruturas, com boas acessibilidades e fundamentalmente, um concelho seguro.

Sou um humanista por natureza e esta será a característica que me diferencia mais. Gosto de pessoas, gosto de as conhecer, gosto de dialogar. Em termos profissionais, tenho a sorte de poder trabalhar com pessoas, já que sou comercial.

Sou do Sporting, embora não seja um adepto ferrenho, até porque sou mais apaixonado pelo atletismo, pela Fórmula 1 e pelos desportos de mar. Gosto de patuscadas e prezo o convívio com os amigos. O cheiro a mar, que caracteriza a zona da Ericeira, dá-me um particular prazer.

Em termos de participação cívica, fui presidente da associação de Moradores do Barril e os meus filhos frequentam as escolas do concelho. Gostava de aproveitar esta ocasião para agradecer à minha família todo o apoio necessário para que esta candidatura possa ser levada a cabo.

 

São 38 anos no poder, e vê-se aquilo que se vê sempre que um partido, seja o PSD ou outro, está quase 40 anos no poder. Há vícios, há formas de fazer as coisas que não carecem de um real escrutínio, pois eles sabem, à partida, que as coisas passam

 

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Como é que se inicia nas lides politicas??

Curiosamente, o meu contacto com a política inicia-se com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Eu vivi na zona do Estoril, e por mero acaso, tive ocasião de me cruzar com Marcelo Rebelo de Sousa, era ele então presidente do PSD. Foi ele que despertou em mim o “bichinho” da política, aliás, quando fui candidato a Sintra, ele esteve lá a apoiar.

Mais tarde, acabei por me filiar no CDS, por desafio do presidente da concelhia de Sintra, que me dizia, na altura, necessitar de pessoas que tivessem a capacidade de lhe dizer, com frontalidade, aquilo que pensavam. Assim, esta será a primeira vez que vou exercer actividade política no concelho onde resido, o concelho de Mafra.

 

Que funções desempenhava em Sintra?

Em Sintra, fazia parte da comissão política do CDS-PP, fui também conselheiro nacional e trabalhei numa empresa municipal.

 

O que mais me impressiona é que há quase receio de dar a cara, e isto acontece em Mafra com todos os partidos menos com aquele que está no poder há tantos anos

 

Esta será a primeira vez que se vai submeter a sufrágio?

 Não. Em Sintra fui candidato à câmara, como vereador, e à Assembleia Municipal. Nestas eleições será a minha primeira vez enquanto cabeça de lista para a Câmara Municipal. Este será pois um desafio para darmos ao concelho aquilo que melhor sabemos fazer, fruto da nossa experiência de vida, da nossa capacidade de motivar e de fazer. Nunca dependi da política, mas tenho consciência que para fazer mais terei que me envolver nos lugares de decisão. É importante que a nossa voz se faça ouvir.

 

Na sua perspectiva, quais são as principais potencialidades do concelho de Mafra e quais são as suas principais deficiências?

O turismo é hoje uma força de receita brutal para os municípios, não podendo ser ignorado. Faz-me alguma impressão que nós, com o aeroporto a 25 quilómetros, a meia hora daqui, não possamos capitalizar mais. Ainda mais, vendo os concelhos de Lisboa, Sintra e Cascais apinhados de turistas, enquanto nós, considerando a capacidade que temos, beneficiamos ainda pouco do turismo. O turismo é, pois, a maior potencialidade do concelho.

Por outro lado, o concelho não são só estradas, não são só infraestruturas, são também pessoas. O concelho apresenta fracas respostas sociais, nomeadamente, em relação à população idosa. Nesta área tem faltado o investimento que permita conferir qualidade de vida às populações.

A estabilização do número de nascimentos, reconhecida pelo Plano de Desenvolvimento Social 2016-2020 como um ponto fraco do concelho, o que se compreende, pois é difícil para as famílias, com a sobrecarga de impostos e de despesas que têm, apostarem na renovação geracional. No capitulo das respostas à população idosa e no apoio às famílias, há muito ainda para fazer neste concelho. O mesmo sucede no que se refere ao saneamento, às mobilidades e à eliminação das barreiras arquitectónicas.

Também não entendo porque é que Mafra não consta no pacto dos autarcas, o qual permitiria ir buscar financiamentos quer para as empresas, quer para a própria autarquia, na redução da pégada poluente, reduzindo em 20% as emissões poluentes e aumentando em 20% as energias renováveis.

Não podemos falar de qualidade de vida sem que as pessoas disponham das condições básicas que suportam essa qualidade de vida, como é o caso do saneamento.


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Mafra é um concelho governado há quase 40 anos pela mesma força política. Que benefícios e que problemas é que daqui poderão advir ?

Quero distinguir duas coisas. Este PSD não é o PSD da gestão de Ministro dos Santos. Reconheço que houve coisas importantes feitas nestes 4 anos, mas não foi tudo feito, desde logo, no que respeita ao saneamento. Não podemos falar de qualidade de vida sem que as pessoas disponham das condições básicas que suportam essa qualidade de vida, como é o caso do saneamento. O mesmo acontece com os transportes, temos que ter uma rede de transportes que sirva os munícipes.

São 38 anos no poder, e vê-se aquilo que se vê sempre que um partido, seja o PSD ou outro, está quase 40 anos no poder. Há vícios, há formas de fazer as coisas que não carecem de um real escrutínio, pois eles sabem, à partida, que as coisas passam.

Vejo como uma mais valia para o concelho, que a população dê força a uma voz que possa por na agenda alguns destes pontos importantes.

 

Como é que avalia este mandato de Hélder Silva?

O actual presidente, pelas suas características, enquanto militar, enquanto alguém que esteve 4 anos como deputado, aporta à sua forma de governar, formas diferentes de actuar. Hélder Sousa Silva, não tem de enfrentar as vicissitudes que o anterior presidente teve de enfrentar, não havendo, nessa atura, limitação de mandatos.

A limitação de mandatos levará a que o primeiro mandato sirva para se mostrar, o segundo, eventualmente, para realizar grandes feitos, e o terceiro será normalmente de despedida. Neste segundo ano, desejamos que as obras apareçam mais focadas nas pessoas e menos no alcatrão ou no betão. Quando apostamos nas pessoas, as coisas são muitas vezes mais difíceis de ver. Repare, quando fazemos uma rotunda, um passeio, uma ciclovia, tudo fica logo visível, no entanto, é muito mais difícil mostrar algo que fica enterrado, como é o caso do saneamento. Fica muito mais difícil tornar visíveis as obras sociais e o apoio domiciliário. Isto nem sempre traz votos, pois a visibilidade não é imediata. Mas será isso que tornará melhor a vida das pessoas, e é isso que eu gostava, que eu espero que aconteça com quem quer que venha a ganhar a autarquia – que aposte mais nas pessoas.

Faz-me impressão o número muito reduzido de pessoal não docente nas escolas, reflectindo-se no pouco apoio aos miúdos nos chamados “prolongamentos”. Faz-me impressão ver os miúdos sentados no chão, sem grandes actividades em que se ocupem. Admito que isto seja barato, mas não será possível fazer de maneira diferente? Eu creio que é possível.

Não contem comigo para dizer mal, apenas porque sou da oposição […] Houve coisas muito bem feitas, nomeadamente, uma preocupação significativa com a saúde financeira da autarquia


Retomando a sua visão deste mandato do presidente Hélder Silva.

Não contem comigo para dizer mal, apenas porque sou da oposição. Não. Houve coisas muito bem feitas, nomeadamente, uma preocupação significativa com a saúde financeira da autarquia, tendo em consideração que este presidente recebeu uma câmara altamente endividada. Essa terá sido uma dificuldade que Hélder Silva enfrentou, sendo certo que é mais fácil fazer coisas quando as finanças estão em dia. Mas nós não temos culpa, quem esteve estes anos todos à frente do município é que deixou essa dívida.

Houve pois essa preocupação de equilibrar as contas e também de pegar em algumas situações de recuperação de património, mas houve outras situações em que se podia ter ido um pouco mais além, nomeadamente no que toca à qualidade de vida das pessoas.

O que é que mudava no concelho se fosse poder em Mafra?

Exerceria um mandato muito focado nas pessoas, eu sou humanista e penso que a qualidade de vida das pessoas é prioritária.

[…] a qualidade de vida não é um slogan, a qualidade de vida terá de ser uma realidade […] É preciso baixar os impostos que a câmara cobra

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Mas a afirmação da qualidade de vida do concelho tem sido uma das palavras de ordem da actual maioria

Mas a qualidade de vida não é um slogan, a qualidade de vida terá de ser uma realidade. Por exemplo, num concelho com gente idosa, situação mais vincada em algumas das nossas freguesias, teremos de ser capazes de criar condições para aumentar o investimento nas estruturas de apoio aos idosos e aumentar a taxa de cobertura de algumas das respostas sociais.

A prioridade será desenvolver a capacidade de criar e de potenciar estas condições, com o apoio de outras entidades, nomeadamente das IPSSs, permitindo-lhes aumentar o serviço que prestam, atingindo uma maior taxa de cobertura, sem que se peça, por exemplo, 3 mil euros para aceitar um idoso numa instituição.

A nível da educação creio ser possível incrementar a um outro ritmo a qualidade e o acesso a estes serviços. Temos de ser capazes de introduzir o estudo da História cultural de Mafra nas actividades, e  porventura, mesmo nos manuais escolares. É também necessário reforçar o apoio às famílias, de modo a dar-lhes tranquilidade, ajustando a resposta escolar às suas necessidades, nomeadamente, minorando as penalizações, quando os pais têm de ir recolher os filhos mais tarde.

É preciso baixar os impostos que a câmara cobra. Há margem para reduzir o IMI, e no caso das empresas, será também importante reduzir algumas taxas, nomeadamente, as taxas de publicidade, para que os empresários possam divulgar os seus serviços e os seus produtos. Será importante promover ainda mais a marca Mafra. 

 

O facto de me sentir desejado e acarinhado, o facto de sentir que estou a fazer alguma coisa pelo concelho em que decidi viver, é aquilo que mais me motiva nesta candidatura


Como é que se deve entender a recente mudança de protagonistas políticos do CDS-PP no concelho?

A resposta é relativamente simples. Repare, da mesma forma que defendemos que deve haver renovação dos protagonistas que exercem o poder no concelho, o mesmo ocorre dentro do CDS. Estas mudanças careceram, naturalmente, de aprovação. Esta nossa candidatura não é à revelia de nada, é uma candidatura apoiada, quer localmente pelo presidente da comissão politica concelhia, Alves Pardal e também por Mário de Sousa e pelo resto da comissão política, quer pelas estruturas distritais e nacionais do partido.

Tal como já referimos relativamente ao PSD, no poder há 36 anos, também no CDS-PP é necessário trazer sangue novo. Coube-me a mim fazer agora alguma coisa por este concelho, pondo ao serviço dele a minha experiência política a nível do poder local e do concelho nacional do CDS-PP, trazendo uma forma diferente de olhar para as coisas.

Esta minha candidatura constitui um grande desafio, um desafio muito interessante, sendo também fonte de muita aprendizagem. O facto de me sentir desejado e acarinhado, o facto de sentir que estou a fazer alguma coisa pelo concelho em que decidi viver, é aquilo que mais me motiva nesta candidatura.

É um desafio difícil este que aceitei, mas se formos consistentes e coerentes, se soubermos para onde vamos, mais tarde ou mais cedo, isso terá a devida correspondência no reconhecimento dos outros. Assumirei as minhas responsabilidades para poder dar continuidade a este trabalho.

 

Quanto ao acordo na Junta de Mafra, os acordos são sempre como os casamentos, sabemos como começam, mas não sabemos como acabam


Valeu a pena o acordo entre o CDS-PP e o PSD na Junta de Freguesia de Mafra? Fará novos acordos pós-eleitorais com PSD? Em que condições?

Quanto ao acordo na Junta de Mafra, os acordos são sempre como os casamentos, sabemos como começam, mas não sabemos como acabam. No computo geral, correu bem e quantos mais acordos fosse possível fazer, maiores mais-valias se conseguiriam para o concelho.

Quanto a acordos pós-eleitorais, tudo depende daquilo que a população quiser. Todos os nossos eleitos assumirão as suas responsabilidades. Se no momento oportuno, após o acto eleitoral, se verificar que a incorporação dos nossos eleitos pode constituir uma mais valia, então o CDS avaliará cada situação caso a caso e decidiremos. Se for apenas para ocupar lugares, então não contem connosco, mas se for para ocupar lugares sendo possível aceitar os nossos contributos com base na nossa visão e na nossa estratégia, aí, qualquer que seja o partido ou o órgão, poderão sempre contar com o nosso contributo.

Temos 30 ideias prioritárias para o concelho, que sendo ideias nossas, não são para ficar para nós, elas estão disponíveis para quem achar que as pode implementar e que as consiga implementar bem.

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Como é que vê o futuro do CDS-PP no concelho de Mafra?

Nós só sabemos para onde vamos, se soubermos de onde vimos. Hoje, o CDS tem trabalho feito e deve-o a todos aqueles que foram capazes de dar a cara, quer como candidatos, quer como dirigentes. Quero dizer que o trabalho do Professor Alves Pardal tem sido muito significativo.

O que mais me impressiona é que aqui há quase receio de dar a cara, e isto acontece em Mafra com todos os partidos menos com aquele que está no poder há tantos anos. Apreciamos o papel desempenhado por todos aqueles que se têm mantido, que têm representado, que têm dado a cara, que têm abdicado da sua vida pessoal e dos seus interesses, para estar ao serviço de um partido – seja ele qual for, pois são todos eles importantes no cenário político.

Em relação ao futuro, perspectivo desde já um bom resultado para o CDS. No entanto, no caso de se reforçar ainda mais a votação no PSD, então, teremos de reinventar a forma de fazer as coisas, a forma de nos aproximarmos dos eleitores, a forma de fazer passar a nossa mensagem, e isto será um desafio, um desafio para nós e para todos os partidos da oposição.

O CDS-PP deverá olhar para a nova demografia do concelho, com gente que vem de fora, quadros médios e médios altos, devendo procurar estes novos habitantes do concelho para que possam integrar os seus quadros. Este será o nosso grande desafio para o futuro.

 

[…] se formos capazes de eleger um vereador, este resultado será considerado um excelente resultado

 

E o que é que será um bom resultado para o CDS?

Temos de ter consciência do concelho onde estamos, do histórico eleitoral e do cenário previsível. Um bom resultado será elegermos em todas as freguesias, aumentarmos o número de eleitos na Assembleia Municipal,  e então se formos capazes de eleger um vereador, este resultado será considerado um excelente resultado. Este vereador será aquele que poderá introduzir alguns temas importantes na agenda da câmara, constituindo uma mais-valia para a governação do concelho, dando a tal nota de humanidade que nos caracteriza.

Caso o PSD não nos entenda como essa mais-valia, então exerceremos a nossa função enquanto força da oposição, alertando para o que estiver menos bem e apoiando o que for bem feito.

Porque é que o candidato à presidência da câmara não é o presidente da comissão política concelhia do CDS-PP?

Porventura, o professor Alves Pardal entende que eu poderei trazer iguais valias, e por outro lado, o professor, por razões laborais está fora do país, não podendo, assim, estar tão presente.

De qualquer modo, ele acredita que o partido tem quadros, tem gente capaz, e desta vez recaiu em mim a escolha para encabeçar a lista do CDS-PP à presidência da Câmara Municipal de Mafra.

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