1 ABR 2017|Cultura & Lazer | JM

A lembrar as récitas que se faziam nos idos de 70 do século passado, numa comparação longínqua no tempo e nas condições, apresentou-se ontem no Auditório Beatriz Costa, um programa organizado por alunos e professores do Agrupamento de Escolas Professor Armando de Lucena, Malveira.  Esta iniciativa começa já a enraizar-se nos hábitos do concelho e apresentou este ano um espectáculo, chamemos-lhe assim, de elevado mérito.

O fio condutor foi o filme de animação  “O Homem Que Plantava Árvores”, baseado numa obra com o mesmo nome, de  Jean Giono.

“Inspirado em acontecimentos verdadeiros, é uma história inesquecível sobre o poder que o ser humano tem de influenciar o mundo à sua volta.”

A performance, que contou com alunos e professores em palco, inicia-se sobre um texto, a que poderíamos chamar de o discurso do amor. Um texto dito em off, tendo por fundo um filme focado na natureza. Texto e filme a ensinarem-nos que o amor entre os humanos será uma forma de celebrar a natureza, de que somos também parte. O texto, poderia ser bem mais curto, ganhando em força e permitindo que a atenção dos espectadores se concentrasse, recolhendo-lhe assim, melhor, o sumo.

Todo o espectáculo requereu muito esforço daqueles que o executaram, deixando antever também muito trabalho no seu desenho e na sua preparação; sem tempos mortos e com base num trabalho muito cuidado. Sala cheia, fundamentalmente com familiares, como era de esperar e muito bem.

Para além do amor, também a cidadania, as suas obrigações e osdireitos que ela confere, estiveram em foco. Algo raro de ver expresso assim publicamente, no concelho. Os poetas e prosadores, sim, que também a declamação teve o seu tempo, foram excelentemente escolhidos. Aprendemos com Eugénio de Andrade e com Alberto Caeiro, o heterónimo, aprendemos com Mário de Sá Carneiro e com Gedeão. Torga trouxe-nos a Primavera e até Francisco de Assis, o santo, nos lembrou, numa ecologia vestida de misticismo, que é da natureza e na natureza, que somos feitos.

No fundo do auditório, portanto, com o público de costas, estava um coro de 50 crianças. E, por estranho que à partida pudesse parecer, resultou. O coro, uma colaboração do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, integrou-se muito bem com o espectáculo e representou uma colaboração que, sobretudo em meios relativamente fechados como é o nosso, é rara de ver entre estruturas diferentes a trabalhar lado a lado, no mesmo sector.

“Um trabalho  interdisciplinar, transversal, horizontal e vertical”, uma narrativa de optimismo, numa performance em meio escolar, a provar que só a divergência é criativa, independentemente da realidade que lhe dê origem, a provar que, mais do que a concorrência, é a colaboração e a solidariedade que fazem futuro.

Um excelente trabalho, a exigir continuidade e refinamento.

Nota da redacção: A qualidade do vídeo não é a desejável, mas as condições de luminosidade da sala não são as melhores.

Pub

Achou este artigo interessante, partilhe-o com os seus amigos!

VISITE TAMBÉM A PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DE MAFRA

Partilhe com os seus amigos!