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Saúde Mental e Ocupacional | Joana Inácio

 

Terapia Ocupacional em Saúde Mental Comunitária

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Terapia Ocupacional é a ciência que estuda a atividade humana e a utiliza como recurso terapêutico, para prevenir e tratar dificuldades físicas ou psicossociais que interfiram no desenvolvimento e na independência do indivíduo em relação às atividades de vida diária, trabalho e lazer.

Desta forma, o Terapeuta Ocupacional identifica a pessoa como um indivíduo único com características e motivações próprias, as quais se reflectem na sua rotina diária, envolvimento e desempenho ocupacional. O envolvimento nas ocupações diárias define o tipo de papéis ocupacionais que a pessoa assume, reflectindo o grau de satisfação da pessoa face às mesmas.

Entenda-se por ocupação tudo aquilo que a pessoa realiza com o intuito de cuidar de si própria (autocuidados), desfrutar da vida (lazer) ou contribuir para o desenvolvimento da sua comunidade (produtividade).

Estas ocupações podem ser tão elementares como conseguir alimentar-se autonomamente, preparar refeições, tomar banho, vestir-se ou tão elaboradas como conduzir um carro, ser autónomo nos transportes públicos, integrar uma formação escolar, ou desempenhar uma atividade laboral.

Numa primeira abordagem, o Terapeuta Ocupacional realiza uma avaliação ao nível da pessoa, da ocupação e do ambiente, da qual resultará um plano individual de reabilitação. De seguida, intervém para desenvolver competências, restaurar funções perdidas, prevenir disfunções ou compensar funções, através do uso de procedimentos específicos com ajudas técnicas ou tecnologias de apoio.

A pessoa com Doença Mental pode sofrer alterações na sua rotina diária, identificando-se alterações nas suas principais ocupações, ou até, na forma como as realiza.

Por exemplo, é comum, em algumas patologias psiquiátricas, a pessoa sentir a incapacidade de tratar de si (alteração dos hábitos de higiene e/ou alimentares), modificar a forma como se relaciona com os outros (isolamento social, dificuldade de estar em grupo ou com os pares), dificuldade na autonomia (andar na rua ou em transportes públicos), sentir incapacidade para executar a sua função laboral (ausência de motivação para trabalhar, ou incapacidade de gerir as suas responsabilidades), dificuldade em gerir a vida familiar (alteração na gestão do lar, preparação de refeições ou limpeza do espaço), entre outros problemas de desempenho.

Todas estas alterações têm grave impacto na rotina ocupacional diária da pessoa, com importantes repercussões na sua saúde mental.

Vamos a alguns exemplos práticos. Imagine que a pessoa iniciou o seu acompanhamento em Saúde Mental e que, até à data, nunca teve um emprego nem uma rotina de trabalho, devido às dificuldades que a sintomatologia pode acarretar. Em termos de intervenção, esta pessoa precisará então de aprender os comportamentos profissionais como: ser capaz de cumprir horários, focar-se nas tarefas funcionais, seguir tarefas de muitas etapas, interagir com os colegas de profissão, atender à supervisão, ter uma auto-imagem adequada, com o fim de se adequar a esta nova ocupação e do seu desempenho na mesma ser satisfatório.

Outra situação poderá ser aquela em que a pessoa, por alteração e dificuldades no envolvimento social, se isola, fechando-se em casa. Passando por períodos de maior tristeza, abandona os cuidados de higiene próprios e com o lar, arrastando a situação ao ponto de já não ser capaz de se envolver novamente nessas tarefas. Deste modo, o Terapeuta Ocupacional irá realizar uma avaliação do domicílio e das competências ligadas ao auto-cuidados, estabelecendo um plano de intervenção com foco na retoma das ocupações como voltar a tomar banho, vestir-se, limpar a casa, realizar a preparação de refeições, entre outras tarefas.

Em suma, a Terapia Ocupacional permite-nos integrar uma rotina satisfatória, tendo em conta o processo de vida em que nos encontramos, dando prevalência às competências pessoais e objectivos da pessoa no futuro.

Identificada a alteração ocupacional, o Terapeuta irá desenhar um plano reabilitativo de acordo com os objectivos e prioridades do indivíduo, de forma a adaptar e modificar a rotina ocupacional que actualmente não o satisfaz ou que não permite de forma adequada um bom desempenho e envolvimento. Este processo tem sempre em conta o ambiente físico e social em que a pessoa se insere.

Caso esteja a passar por uma experiência de disfunção ocupacional, procure ajuda junto de um profissional da área de intervenção e trabalhe a sua autonomia para uma vida mais integrada e funcional.

 

Joana Inácio

Terapeuta Ocupacional no MESMO

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