Autárquicas 2017 | Entrevista a Rui Prudêncio – Candidato à presidência da CMM (PAN)

Quem é Rui Prudêncio, quem é o homem que está por detrás do candidato?

Gosto muito de ler, tenho mesmo uma relação profissional com os livros, até porque tenho formação em bibliotecas, tendo já trabalhado aqui na biblioteca Palácio de Mafra. Aprecio sobretudo literatura portuguesa. Gosto muito de cinema indo as minhas preferências para os filmes épicos, para a ficção cientifica e para algumas séries que abordam questões políticas.

Em termos de futebol, não sou propriamente um apaixonado, mas gosto de ver e tenho uma pequena simpatia pelo Futebol Clube do Porto, isto, apesar de ser do Algarve.

Sinto-me sobretudo como um cidadão que procura no exercício da cidadania, algo que permita fazer pequenas melhorias na política, na maneira de nós vivermos. Nos últimos anos da minha vida tenho lido muito e tenho tomado consciência dos problemas da natureza e da relação da natureza com o homem, e das questões do bem-estar animal.

Tenho evoluído como pessoa, como cidadão, o que se reflectiu mesmo em algumas mudanças interiores. Deixei de comer carne, deixei de usar vários tipos de produtos, fruto dessa consciencialização.

quando a mesma força política está no poder décadas e décadas, isso gera fenómenos difíceis de contornar em termos de clientelismo, em termos de algum autoritarismo

A que é que se dedica em termos profissionais?

Nos últimos anos tenho-me dedicado a trabalhar como bibliotecário, e paralelamente tenho desenvolvido um projecto de animação turístico-cultural aqui na zona do Oeste. Trabalhei também como bibliotecário no Palácio Nacional de Mafra.

Durante quanto tempo é que trabalhou no Palácio Nacional de Mafra?

Trabalhei no Palácio Nacional de Mafra durante um ano. Fiz ali um estágio no âmbito de um protocolo entre o Ministério da cultura e o IEFP.

Tomou uma serie de medidas que ajudaram a melhorar um pouco a qualidade de vida dos mafrenses [sobre Hélder Silva]

 

 

Como é que se sentiu a trabalhar na Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra?

A Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra é uma das melhores bibliotecas nacionais em termos de livros antigos. É uma biblioteca muito importante em termos de investigação. Penso que estará um pouco fechada, pois não está a ser explorada enquanto lugar de conhecimento, enquanto espaço cultural. Uma outra preocupação relaciona-se com a conservação, algo que carece de uma vigilância permanente, podendo haver, por vezes, alguma tendência para descurar essa vigilância.

Penso que a Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra é uma jóia em bruto. Falta lapidá-la, torna-la mais acessível e mais atraente.

Não teme que o facto de concorrer a um concelho com que têm tão pouca ligação, prejudique a sua candidatura?

Eu vivo num concelho vizinho, a vinte e poucos quilómetros e conheço bem o concelho de Mafra, e para além disso, a minha candidatura conta com muitas pessoas residentes no concelho, na Ericeira, na Venda do Pinheiro. Pessoas que conhecem muito bem o concelho.

Em termos políticos a avaliação é genericamente positiva [a propósito de Hélder Silva]

 

PAN – Pessoas Animais Natureza, não será, digamos um pleonasmo filosófico-politico e ideológico?

Trata-se não de um conceito, mas também de uma questão de comunicação. Pessoas, enquanto animais humanos, Animais, enquanto animais não humanos, e quando referimos a Natureza, falamos de tudo aquilo que serve de casa às pessoas e aos animais.

O cidadão comum costuma separar estas três frações, apesar de nós entendermos que elas estão todas interligadas. Assim, os cidadãos percebem que nós estamos a falar para pessoas, estamos a falar relativamente a animais e relativamente à natureza. Em termos filosóficos nós entendemos estas três parcelas como um todo.

O PAN é constituído fundamentalmente por cidadãos que não têm um passado político, e o PAN é sobretudo um partido de cidadãos que querem participar na política do seu país e do seu concelho, pretendendo ser, sobretudo, a voz dos cidadãos.

Focamo-nos em programas de bem-estar animal […] acabar com os animais abandonados […] programa plurianual de esterilizações […] Usar a força da câmara para impedir espectáculos que implicam sofrimento animal.

Relativamente à política autárquica, o que é que distingue o PAN das restantes forças?

O PAN distingue-se das restantes forças políticas, por razões de filosofia política, uma vez que entendemos que fazer política deve compreender todas as formas de vida que habitam o nosso território. O PAN não é um partido antropocêntrico, pois não começa e acaba no homem, pois a sua acção promove também o bem-estar animal e a natureza. Este é um corte bastante grande relativamente às restantes forças políticas, que entendem a coisa politica como sendo algo humano.

Distinguimo-nos dos restantes partidos ecologistas e ambientalistas, porque temos uma noção de ecologia mais profunda. Ou seja, o PAN entende que a ecologia deve tocar a nossa vida pessoal quotidiana e que constitui também uma nova forma de ver a economia e a sociedade.

Dou um exemplo. Os ecologistas não integram no seu programa a questão da alimentação e nós fazemo-lo, como sendo um tema ecológico. Nós estamos numa ecologia já do século 21.

Temos de apoiar mais a agricultura biológica […] é necessário encontrar um maior equilíbrio entre a presença e a actividade humana e a natureza

 

Quais os principais problemas com que o concelho de Mafra se defronta?

Pretendemos influenciar as restantes forças políticas no sentido de as consciencializar para uma nova sensibilidade, a do bem-estar animal, preocupação que tem estado quase absolutamente ausente das grandes orientações politicas para o concelho. Uma nova sensibilidade também na maneira de ver a natureza e a relação do homem e da economia com a natureza.

Focamo-nos em programas de bem-estar animal que passam por programas de esterilização destinados a acabar com os animais abandonados, poupando-os a maus tratos ou a ferimentos. Pretendemos que a câmara comece a implementar um programa plurianual de esterilizações, bem como um maior apoio às associações nas adopções. Usar a força da câmara para impedir espectáculos que implicam sofrimento animal, como é o caso dos circos com animais e dos espectáculos taurinos. Toda uma nova mentalidade relativamente aos animais, que até agora tem faltado e que a sociedade de Mafra já começa a exigir.

Em relação à natureza, trazemos um novo olhar sobre o território. Temos de apoiar mais a agricultura biológica, apoiando os produtores e comercializando os produtos em Lisboa. Temos também de levar os produtos biológicos de Mafra às escolas e integra-los na alimentação aí servida.

Cremos que haverá um excesso de eucaliptização no concelho e conhecemos bem os efeitos nefastos que isso pode ter. Temos de ter uma visão mais abrangente do nosso território enquanto casa, é necessário encontrar um maior equilíbrio entre a presença e a actividade humana e a natureza.

Gostaríamos ainda que a câmara tomasse uma atitude relativamente a um segmento da população que tem estado um pouco esquecida. Refiro-me às pessoas mudas e cegas que vivem no concelho. Existem uma serie de barreiras ao acesso destes cidadãos aos serviços, não só barreiras físicas, mas também barreiras ao nível de serviço, nomeadamente, atendimento especifico para cidadãos cegos ou surdos, com recurso à língua gestual portuguesa e ao Braille.

Como avalia o atual mandato de Hélder Silva à frente da CMM?

Em termos políticos a avaliação é genericamente positiva. Consideramos que tomou uma serie de medidas que ajudaram a melhorar um pouco a qualidade de vida dos mafrenses. É o caso da municipalização das águas e o investimento que tem sido feito na área da cultura.

Mas isto não chega. Há uma série de faltas que têm de ser colmatadas, por isso queremos estar presentes em Mafra, não para fazer oposição nem para dar apoio, mas para apresentar uma nova sensibilidade, estando disponíveis para encontrar as melhores soluções, acrescentando uma nova camada de politicas que abrangem outras temáticas. Investir por exemplo em dog parks, parque para cães, espaços na via pública para onde as pessoas podem levar os seus animais de estimação, e isso, será uma medida capaz de aumentar muito a qualidade de vida das pessoas.

Como é que interpreta politicamente o facto de o PSD se manter à frente dos destinos do concelho durante quase 40 anos?

Tem aspectos negativos e poderá ter alguns aspectos positivos. Em termos negativos, pois constata-se que quando a mesma força politica está no poder décadas e décadas, isso gera fenómenos difíceis de contornar em termos de clientelismo, em termos de algum autoritarismo e de alguma dificuldade de mudar. As pessoas vão-se habituando aos lugares, cria-se alguma sedimentação politica e alguma estagnação.

É positivo que haja rotatividade no poder, mas por outro lado, a estabilidade politica também apresenta benefícios, sobretudo permitindo a implementação de politicas a longo prazo, de uma forma mais estável.

Pessoalmente prefiro um concelho mais dinâmico. É sempre mau haver maiorias absolutas e não será muito benéfico um partido estar no poder durante 30 anos.

Interessante seria também haver entendimentos entre as várias forças politicas em torno de grandes linhas de fundo, nomeadamente nas áreas da educação e do ambiente.

Sendo eleito, senta-se à direita ou à esquerda da actual maioria da CMM?

Nós não nos posicionamos em termos de ser de esquerda ou de direita. Defendemos ideias que servem as pessoas, sejam elas de esquerda ou de direita. Sentar-me-ei, pois, no lugar que me for atribuído, pois o que conta são as ideias e as propostas.

Defende o primado do privado ou do público?

Depende. Há espaço para o público e para o privado, no entanto, em alguns campos, o primado vai para o público, nomeadamente, na educação, na saúde, da protecção da natureza, da gestão da água e também seria interessante ao nível da energia. São áreas que têm uma importância tal para a população, que não podem estar sob a gestão e a lógica do lucro. Há depois muitas outras áreas que podem estar entregues ao privado.

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