Crónicas de Jorge C Ferreira | A Finitude

A Finitude

 

Não sei o que nos ata à vida. Não sei o que nos une às vidas vividas. Somos uma soma de vidas. Somos as experiências que vamos acumulando. Vemos nascer e morrer. Choramos e rimos. Há quem reze e agradeça a um ser que acha divino. Rimos quando ouvimos o choro anunciador da vida. Choramos quando o último suspiro de alguém anuncia a sua partida.

Um dia conheci um homem que vivia numa cabana no alto de uma serra alta. Vivia só e, no entanto, nunca tinha visto ninguém que me parecesse tão acompanhado. Os seus olhos tinham um brilho especial e deles saía uma fala que nos iluminava. Quando, por fim, falou comigo. Falou das coisas, que podiam parecer complexas, da forma mais simples que alguma vez tinha ouvido. Percebi quase tudo. Percebi o pouco que sabemos. Fiquei com uma imensa vontade de viver numa cabana assim.

Voltei algumas vezes ao cimo da serra. Falei mais vezes com aquele eremita com voz de sábio. Aprendi muito e continuei a saber pouco. Várias coisas devemos ter sempre presentes quando entabulamos uma conversa: as nossas limitações, a nossa transitoriedade, a nossa finitude.

Somos um princípio e um fim e vagueamos num calendário com datas em branco. Vamo-nos fazendo e fazendo outros. Sabemos do começo e do fim de tudo. Erramos numa estrada com muitas curvas perigosas e vários sentidos proibidos. Somos, por vezes, o ovo e a galinha. Raramente sabemos o que somos.

Seremos, talvez, o nosso caminho. Uma imensidão de estórias. Muitas já esquecidas. Temos algo que enterra passados. Uma defesa que nos criaram ou nós criámos. Há coisas que, no entanto, nunca conseguimos arquivar, naquele arquivo morto onde ninguém procura nada.

Quando nos morre alguém de quem gostamos, muitas questões se levantam e crescem dentro de nós. Todo aquele cerimonial, toda aquela liturgia. Todo aquele tempo, que vai desde o último grito até às cinzas, é um interregno no nosso pensar. Ouvimos palavras que não ficam em nós. Coisas repetidas. Coisas de circunstância. Raramente festejamos a vida de quem nos deixa, lembramos as suas gargalhadas e alegrias.

Eu, que não acredito noutras vidas, noutros estádios, na vida eterna. Eu, que sou um deserdado da fé, tento olhar para a vida toda de quem nos deixou, e recordá-lo assim, fresco e vivo. Por vezes penso, se eu estiver errado, melhor para ele e fico feliz.

Se choro? Claro que sim! Não poder mais abraçar ou beijar alguém de quem gostamos, é uma perda enorme. Um vazio difícil de preencher. Acho que não há fé que nos console.

Depois de perdermos os que foram a nossa referência de vida, os que nos educaram e fizeram todos os sacrifícios da vida por nós, começamos a perder os amigos. Ficamos a saber que estamos na fila da frente para o fim da caminhada. Vamo-nos conhecendo cada vez mais.

Aprendemos a falar e a conviver com os que nos deixaram. Conversas que vamos tendo e vamos inventando as respostas baseadas em tudo o que eles nos deixaram. Somos uma balança. Os pesos e os contrapesos. Uma báscula que se vai equilibrando. Vamos perdendo e ganhando coisas.

Não sei se alguma vez me chegarei a conhecer.

«Eu sei que a morte do teu amigo de infância, mexeu contigo. Mas tens de deixar de pensar nisso.»

Voz de Isaurinda.

«Tu sabes, que toda a vida pensei nestas coisas, nestes mistérios. Claro que nestas ocasiões as coisas vêm ao de cima.»

Respondo.

«Eu sei, já te aturei muitas crises dessas. Mas chega! Arruma isso.»

De novo Isaurinda e vai, o pano na mão.

Jorge C Ferreira Set/2017(137)

 

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40 Thoughts to “Crónicas de Jorge C Ferreira | A Finitude”

  1. Maria da Conceiçao Martins

    Olá Jorge.
    Já li o texto na 2ª feira, mas só hoje tive oportunidade de aqui voltar.
    Nunca estamos preparados para a morte dos que nos são queridos .
    Todos sabemos que um dia tudo acaba, mas há mortes para as quais ninguém nos preparou, nunca pensámos que pudessem acontecer antes de nós.
    Até para a semana meu amigo e volte sempre que eu gosto tanto de o ler.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Maria da Conceição. Há sempre uma dor tremenda, mas quando a ordem natural das coisas é alterada, a dor torna-se insuportável. Acho que nos acompanhará para sempre. Abraço.

  2. Isabel Soares

    Uma bela narrativa. Ponto. Uma maravilhosa reflexão sobre a nossa eternidade finita. A ignorância, a humildade e a interrogação “O que nos ata à vida?”. Só pode ser o amor. Os seres que amamos e nos amam.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Isabel. Este caminho que vamos percorrendo. Uma luta. Abraço.

  3. Maria Fátima Vaquinhas

    Não estou preparada para esta finitude e não sei quais são as datas em branco do meu calendário, já me despedi tantas vezes mas não estou preparada para que se despeçam de mim, acho que nunca vou estar e é angustiante porque estes pensamentos assaltam-me permanentemente.
    Para mim é tudo como diz, só não conheci ninguém na montanha.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Maria de Fátima. É uma caminhada. Um tempo com fim. Há que subir à montanha. Abraço.

  4. Isabel Pires

    Depois de perdermos aqueles que foram as nossas referências. …começamos a pensar que estamos na linha da frente…
    Obrigada adorei o seu texto disse oque eu penso sem saber dizer. Abraço

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Isabel. Se esta hierarquia for levada sem percalços é uma sorte. É a ordem natural das coisas a impor-se. Abraço.

  5. ClaudinaSilva

    Jorge C Ferreira amei a tua crônica! Obrigada.
    A maior certeza que temos é a da nossa finitude. Por que não pensar na finitude como a oportunidade de dotar a vida plena de sentido? Somos responsáveis pelo que construímos ou pelo que destruímos, pela amizade que fizemos quanto pela amizade que destruímos, somos responsáveis pelos afetos que demos tanto quanto pelos desafetos. Em parte está nas nossas mãos a possibilidade de ser o protagonista da nossa história pessoal..

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Claudina. Sabes, minha amiga este tempo é tão curto que há coisas que nunca chegamos a compreender. Tentemos ser sempre dos afetos. Abraço.

  6. Deliciosa a sua narrativa relacionada com os tempos entre a vida e a morte. Remete-nos a valorizar a vida com o risco permanente de a perder. O vazio em que ficamos quando perdemos os nossos entes queridos, familiares e amigos. O coração sangra, o grito mudo que quer sair da garganta, o ver a pessoa em todo o lado e não existir no espaço físico e só no nosso pensamento. As palavras que se não disse, o abraço forte que não aconteceu no último e derradeiro momento. Infelizmente já passei por uma perda de uma amiga que até hoje não consegui “arrumar” como sugeriu a sua Isaurinha. Obrigada pela maravilhosa partilha. Um abraço.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Ana. Que bom o seu comentário. Há sempre qualquer coisa que fica em falta na nossa vida. Há muita gente que caminha connosco. Abraço.

  7. Eulalia Pereira

    Partilho dos sentimentos que tão bem descreve nesta crónica. A dor que se sente pela morte dos pais é acompanhada por uma sensação de abandono total.
    Quando se perde uma irmã ou irmão, há uma parte de nós que vai e não volta. E os anos vão passando, os amigos vão partindo, a vida continua, mas nos dias mais cinzentos, quando os passos são mais lentos, somos assaltados por perguntas sem respostas.
    A única certeza é o presente.
    Obrigada Jorge, por este partilhar de vivências. Vou tentar encontrar uma Isaurinda. É uma ajuda preciosa.
    Um abraço.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Eulália. Muito belo o seu comentário. Todos temos uma Isaurinda que vive connosco. É só procurar, Abraço.

  8. Idalina Pereira

    Entre o princípio e o fim há que aproveitar o intervalo -a vida. Uns dias bem, outros nem tanto. Os amores e os desamores. Todas as estórias que pertencem a esse intervalo.
    Como é bom ter uma Isaurinda que apela à realidade. Gostei muito da crónica. Boa noite, amigo.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Idalina. Viver nos intervalos do tempo. Ter com quem falar. Abraço.

  9. Fernanda Luís

    Gostei muito da reflexão de hoje, “Finitude”. A nossa finitude. Tentamos ser donos do nosso destino mas somos surpreendidos com muitos obstáculos, armadilhas ou amardilhas como a minha filha dizia em pequenina. Muitas vezes difícil sair de lá, erguemo-nos feitos um farrapo, precisamos de tempo para nos recompormos, mas não desistimos. Somos heróis sem nos apercebermos. As perdas dos que amamos, os lutos, dores e cicatrizes mal curadas, sei lá! Mas há os momentos de grande felicidade que nunca esquecemos e nos amparam. Dos que partiram, com o tempo, lembramos sobretudo a parte boa que nos conforta e dá alento a caminhar. Concordo que somos as nossas experiências e a conceptualização que fazemos delas. Penso que à minha medida tenho deixado pequenas marcas no caminho. Ser útil aos outros, à comunidade, é um princípio que tento não descurar. Aprender sempre, ter a mente aberta…
    Quem somos, sabemos em parte.
    Abraço.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Fernanda. Que bom ler o seu comentário. Que bela palavra a sua filha “inventou”: “amardilhas” as armadilhas do amor! Os meus parabéns. Aprender sempre deve ser um desígnio na nossa vida, Abraço.

  10. Cristina Ferreira

    Reaprender a viver.

    Abraço-vos forte (a ti e à minha querida Isaurinda)

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Cristina. Abraços nossos.

  11. Maria Helena Moreno

    A solidão por vezes não se procura,é resultado das circunstâncias. Difícil ouvir os sons do silencio.O eco das salas vazias.”Somos o que ganhamos e perdemos”
    Fazemos um livro com varias estorias.
    Vamos escrevendo dia a dia
    Um dia surge o ponto final
    Gostei muito do texto
    Obrigada,Jorge!!!

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Maria Helena. Somos um caminho. Um história que não temos tempo de acabar, Abraço.

  12. Isabel Baião

    Magnífico este texto que nos faz pensar em todos que fazem ou fizeram parte da nossa vida. Algumas aparecem não se esperam, deixam-nos vivências que para nós é aprendizado e vão como tendo cumprido uma missão. E nós recordamos os bons momentos vividos, o que nos deixaram de bom ou não. Os caminhos separam-se mas os elos do afecto persistem. Ficam em nós. Os que passam para a outra margem, deixam mais dor porque o físico deixou de existir. E de novo recordamos os momentos vividos com eles, com saudade talvez porque essa outra margem não será tão fácil de alcançar. Eu pessoalmente acredito em possíveis encontros. Quando vamos caminhando, a ideia de uma despedida começa a pesar no nosso pensamento. Eu estou nesse rol. Por isso vivamos a vida, o sol brilha, temos os nossos abraços, amigos, outros afectos. Viver a vida.de preferência apreciando tudo o que ela de bom nos oferece.E amanhã eu lerei mais um magnífico texto do poeta e começo o dia com um abraço.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Isabel. Os que nos ensinaram, os que ensinamos, os que atenderam connosco. A lista das faltas. As dores. Abraço.

  13. Ana de Freitas

    Entre o princípio e o fim, um intervalo sem espaço nem tempo, onde vamos escrevendo os dias, numa folha em branco, sem linhas nem margens, um fino papel, vulnerável, que não resiste à força que pomos na mão enquanto escrevemos ou mesmo quando tentamos apagar o que nos parece menos bem.

    A vida é um rascunho sem tempo de passar a limpo… uma estranha forma de vida.

    Entre o choro da chegada e o choro da partida, um cordão que nunca se desata.

    1. Jorge C Ferrdira

      Obrigado Ana. Sim, minha amiga. Falta-nos sempre tempo para passar as coisas a limpo. Dão a necessidade das arcas e das nuvens, Somos um nó. Abraço.

  14. Branca Maria Ruas

    Muitas vezes penso no que irão sentir, pensar ou dizer, os que me são queridos, no dia da minha partida. E sinto uma dor terrível por saber que alguns deles vão sofrer.
    Lembro-me de estar a passar por um desses sofrimentos e entrar num lugar onde havia gente a ler, outros a conversar calmamente, outros a rir… tudo se passava com normalidade. Nessa altura pensei “Como é possível toda esta gente estar a comportar-se como se nada tivesse acontecido ?”
    Mais tarde reflecti sobre isso e cheguei à conclusão que era um sinal de arrogância pensar que o meu sofrimento poderia provocar alguma alteração no ritmo de vida dos outros. O mundo só tinha ficado destroçado para mim, Para os outros estava igual.
    E a vida é isto também. E, por vezes, ser isto, perturba-me.
    Aprendi a não antecipar angustias. Aprendi a fazer das boas lembranças o refugio da minha saudade. Mas ainda tenho muito para aprender…

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Maria. Nunca antecipou nada. Aprendi a só me preocupar com o que acontece. A vida é uma roda que tem todas as fases do tempo. Há gente que continua a caminhar connosco.

  15. Sofia Barros

    Há assuntos que não arrumamos, cara Isaurinda, Aninhamo-los dentro do peito, desviamos a atenção e tentamos aprender a viver assim, incompletos mais um pouco. Infelizmente, por vezes a morte troca as contas e leva crianças antes de adultos, sãos em vez de enfermos. Mas a ordem certinha das coisas seria seguramente mais angustiante.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Sofia. Sim, há coisas que nos andam sempre a balouçar no peito. Um vai e vem sem destino. Por vezes uma dor imensa. Abraço.

  16. Esmeralda Machado

    Amigo, adorei a crónica de hoje. Concordo com a Isaurinda ” tem de deixar de pensar nisso”
    “O tempo cura o que a razão não consegue curar” Sêneca
    Um abraço amigo Jorge.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Esmeralda. A Isaurinda está a tornar-se a peça chave destas deambulações. Um dia destes a palavra será dela. Abraço amigo.

  17. Célia M Cavaco

    Pensar na vida…um curso difícil de concluir.Quase sempre,ou sempre, deixamos cadeiras por fazer.Pessoalmente encaro a vida,ou a forma de viver, como um curso intensivo que de alguma forma nos estava predestinado. A sabedoria aprendo-a com todos aqueles que cruzaram nesta estranha forma de vida. Acredito muito que vou reencontrar os que me deixaram à beira do abismo.Quero crer que sim,pois só assim poderei cobrar-lhes as lágrimas que de muitas fizeram no rosto um rio sem foz. Obrigada meu amigo sábio de afectos.Abraço!

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Célia. Que boa e reconfortante deve ser essa fé que te tocou e transportas. Já fizemos cadeiras muito difíceis nesta vida. Abraço.

  18. Ivone Teles

    Com uma enorme lucidez falas-nos da vida. Desde o primeiro grito, em choro, quando deixamos o colo interior da nossa mãe, aos choros dos joelhos esmurrados, quando crianças brincamos, dos choros quando alguém que amamos, familiares e amigos nos deixam para partirem para outro éter, ou simplesmente se tornarem em pó.
    ” Raramente sabemos o que somos ” dizes, e é uma grande verdade. Porque a nossa estrada não é uma recta. Tem curvas, contra-curvas, largos e becos, e cada vez mais rotundas, não aquelas que têm regras a cumprir, mas muitas que nos atrapalham. Saída para a direita, ao centro, consoante a saída, à esquerda, nunca. Mas, felizmente só nas rotundas de estradas e não da vida. Enquanto cá estamos, podemos escolher. E a viver escrevemos histórias, as mais diversas.
    Tu encontraste um eremita, que te ajudou. Eu, pouco solitária, fui aprendendo com, sempre, muita gente. Talvez não a melhor maneira de aprender. ” Não sei se alguma vez saberei quem sou digo, repetindo palavras tuas .
    Adorei o texto que , de certeza,me vai ajudar a entender-me melhor. Provavelmente servirá para muitos de nós. Concordo com a Isaurinda e, pego no pano que esqueceu para ir junto dela.Está calada, pensativa.
    Tu tens razão, amigo, viver não é linear, viver é habitar um mistério. Só saberemos de nós, quando em pó e cinza nos tornarmos.
    Beijinhos querido amigo.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Ivone. Esta caminhada não é simples. Tem muitos escolhos e sobressaltos. Vamos caminhando e sempre de cabeça erguida. Vamos cavalgar o mistério. Beijinhos.

  19. Madalena Pereira

    A vida é uma coisa muito estranha. Cruzam-se connosco tantas pessoas inesquecíveis pelo bem que nos fizeram e depois vão-se e temos que nos conformar pois “a vida é assim” é o habitual comentário… Mas para quê tanto sofrimento? Qual a finalidade? Não consigo aceitar nem perceber qual é o sentido disto tudo.
    Gostei muito desta reflexão, Jorge! Um texto pleno de sentimentos onde a saudade e afecto marcam forte presença. Não posso deixar de partilhar, meu amigo. Obrigada.
    Um beijinho

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado Madalena. Somos todos os cruzamentos e todas as retas. Somos uma soma difícil de executar. Somos a busca. Constante. Abraço.

  20. António Feliciano

    Sem dúvida, vamos perdendo e ganhando coisas, valores, interesses, oportunidades e aprendemos a distinguir o dia anterior no dia seguinte. Lamentamos o que errámos mas não fazemos propósito de emenda. Afinal, os nossos vícios estão mais presentes do que as virtudes. Continuamos a rir como se nada acontecesse.
    Um abraço, Jorge.

    1. Jorge C Ferreira

      Obrigado António, Somos o caminho. Somos o que ganhamos e perdemos. Somos uma história sempre interrompida. Abraço.

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